terça-feira, 5 de junho de 2007

“O QUE FAZ FALTA É AVISAR A MALTA”
o novo Regime jurídico do Ensino Superior



O novo Regime do Ensino Superior é o passo final para a privatização das Escolas.


O artigo 9º, defende que uma instituição pública pode transformar-se numa fundação pública de direito privado, ou seja, aquilo que é um direito e foi construído com dinheiro público, pode ser posto nas mãos de uma qualquer empresa, “a malta que se lixe”.


No ponto 7 do artigo 20º, fala-se em cedências de empréstimos por parte do Estado. Aqui nota-se uma verdadeira desresponsabilização, em vez de bolsas, agora toma lá os empréstimos, o Estado com os Bancos vão-nos hipotecar o futuro, “a malta que se lixe”.


No artigo 70º, fala-se dum tal Conselho Geral, este está acima de qualquer outro órgão de decisão das escolas, a sua orgânica é, mais de 50% dos assentos para os professores e investigadores, mais de 30% para personalidades de “reconhecido mérito” não pertencentes à instituição, ou seja gestores privados que o governo nomeia, o resto para os estudantes, os funcionários diz-se, que também podem aparecer por lá, mas só se houver espaço… “olha, a malta que se lixe”.


Este novo regime jurídico foi discutido na última RGA do I.S.A. que decorreu no dia 29 de Maio. A AEISA apresentou uma moção sobre o tão referido Regime, que seria uma opinião dos alunos sobre o assunto. Esta moção via-se, mesmo sem óculos, que vinha de um outro órgão seu superior, uma Académica, que parece pelo o que tinham escrito dominada por Jotinhas do PS, PSD e PP. Mais uma vez a linha destas Académicas é parecida à colaboracionista inter-sindical UGT, ou seja “as coisas até tão fixes, mas não façam é muito mal ao pessoal”, “pedimos para alterarem este pontinho aqui e o outro acolá, mas se não quiserem a gente nem faz muito barulho”.


Nesta moção, que será apresentada em muitas RGAs de muitas Escolas, diziam-se coisas do género: “é preciso mais autonomia financeira porque sem esta não se favorecem as universidades mais competitivas”, claro está, quem não faz dinheiro não merece estar aberta e assim o Estado nem se tem de preocupar com a educação dos seus filhos.


“Consideramos importante a presença de entidades externas nas Instituições de Ensino Superior, por uma clara necessidade de maior aproximação à sociedade”, sim senhor, um gestor privado que venha defender os interesses da sociedade e dos alunos.


“A AEISA não se opõe à diminuição do número de membros dos órgão de gestão, de forma que estes se tornem mais funcionais, mas queremos mantida a proporcionalidade”, ou seja um órgão de decisão assim… com umas dez pessoas, 6 professores 3 gestores de uma empresa privada e 1 estudante, para decidirem tudo muito democraticamente. Depois de uma discussão acesa a moção foi retirada pelo presidente da AEISA. Uma outra moção contrária a da AEISA, que mostrava o descontentamento dos alunos em relação a este novo regime foi votada por unanimidade.


Não podemos admitir que esta lei passe sem que os estudantes façam nada, não podemos ser os responsáveis da hipotecação do futuro das novas gerações, Temos de “Avisar a Malta” para irmos para a Rua, para a Rua obrigar esta lei a voltar para trás.

No limbo do processo


Há alguns anos atrás, ter acesso ao ensino superior não dependia só do mérito próprio de cada um, dependia muito das condições sócio-económicas dos indivíduos, e a esse frustrante sistema fundia-se o sistema do pensamento da sociedade, que via isso com uma pontinha de resignação e inevitabilidade. Quem quis estudar nessa altura e não pertencia ao leque dos privilegiados, viu frustradas as suas expectativas, o seu desenvolvimento pessoal, os seus sonhos. Felizmente houve alguém que ousou pensar diferente, que quis mudar esse sistema e que conseguiu mudar também o modo de pensar das pessoas.


Tirar um curso superior hoje depende mais do mérito de quem isso pretende, e eu na minha situação de estudante, sinto-me como a materialização dessa tal ousadia, dessa tal mudança de sistema e de mentalidade. Uma materialização consciente.


Dizer que o ensino superior hoje em dia, já não é para todos é uma heresia respectivamente ao que se conseguiu, mas não me surpreende. O que me surpreende é que esse processo a que se chama de Bolonha e as novas leis que legitimam o seu espírito, tenham uma tão passiva reacção por parte dos estudantes, dos professores, da sociedade em geral.


Será que ainda ninguém reparou nos preços das propinas do 2º ciclo de Bolonha? Sim, em algumas escolas chegam aos 5000 €! Pagas numa lógica mais ou menos igual ao “leve um curso pague dois”.


Paralelamente a Bolonha há todo um conjunto de acontecimentos mais ou menos subtis que pretendem declaradamente mudar o nosso pensamento de como deve ser o ensino superior e qual é a função perante a sociedade.


Há um sistema de pensamento que nos querem impor, que se tenta instalar aos poucos e poucos entrando através do sorriso de jovens bonitos impressos em brochuras de créditos de cores atraentes que nos cantam em falinhas mansas sobre como financiar os nossos cursos… Estes ataques que nascem desta convivência com a “inevitabilidade”, são dirigidos de certeza aos que mais adormecidos andam e não sentem o processo a desenrolar-se. Como é possível não sentir asco ao ver uma coisa destas!


Sinto-me temporalmente no limbo deste processo, naquele período de tempo entre o ontem e o “inevitável amanhã do processo”, mas espero não estar no limbo da mudança do pensamento social, entre o “tens direito” e o “tens direito a pagar”.


E é neste momento que me pergunto, mas “porque está isto a mudar?” Sim tem de haver uma razão, que se me lembro bem nunca foi discutida com os estudantes. Que metafísica é esta em que os estudantes não passam de meros intermediários a um fim que lhes é alheio?


Insinuações faço-as, e pergunto se essas razões não terão como base os lobbies empresariais europeus, no desejo de submeter o Ensino Superior aos ritmos, estratégias e opções do “mercado” e os estudantes à precariedade, à instabilidade e à sua arbitrariedade. Parece-me legítima esta insinuação.


E é no limbo que me relembro que os cortes do Orçamento de Estado para o ensino superior este ano já foram de 15% e que com alguma desconfiança arrisco para os próximos tempos uma diminuição sucessiva, deixando o caminho em aberto para a única solução, adivinhe-se: transformação da universidade em fundação legitimada, claro, pelo novo regime jurídico. Ou seja, a metafísica do ensino superior toma os rumos dos interesses privados.


É no limbo que vejo a tentativa de mudança de linguagem por quem está a montar o sistema: ouve-se falar em empregabilidade, em mobilidade, em flexibilidade, mas tudo isto continua a soar a precariedade quer tanto para os alunos como para os professores.


Com uma licenciatura de menor duração é mais rápida a eliminação de massa crítica das universidades (e portanto o saneamento do sistema) e mais rápida a formação de uma grande massa de licenciados fresquinhos e uniformizados à mercê de um mercado que lhe arreganha o dente, oferecendo-lhes salários mais baixos pois é maior será a procura e menor a habilitação.


E quando o sistema estiver já bem instalado, que espaço haverá para quem ousar pensar diferente? Para quem quiser estudar diferente? As bolsas para a investigação serão também privatizadas. Que rumo irá tomar a investigação? Que interesses servirá?


É por estas e por outras que Bolonha é andar para trás.


PARTE I - Direitos e deveres fundamentais


TÍTULO III - Direitos e deveres económicos, sociais e culturais

CAPÍTULO III


Direitos e deveres culturais



Artigo 74.º
(Ensino)

1. Todos têm direito ao ensino com garantia do direito à igualdade de oportunidades de acesso e êxito escolar.


2. Na realização da política de ensino incumbe ao Estado:


a) Assegurar o ensino básico universal, obrigatório e gratuito;


b) Criar um sistema público e desenvolver o sistema geral de educação pré-escolar;


c) Garantir a educação permanente e eliminar o analfabetismo;


d) Garantir a todos os cidadãos, segundo as suas capacidades, o acesso aos graus mais elevados do ensino, da investigação científica e da criação artística;


e) Estabelecer progressivamente a gratuitidade de todos os graus de ensino;


f) Inserir as escolas nas comunidades que servem e estabelecer a interligação do ensino e das actividades económicas, sociais e culturais;


g) Promover e apoiar o acesso dos cidadãos portadores de deficiência ao ensino e apoiar o ensino especial, quando necessário;


h) Proteger e valorizar a língua gestual portuguesa, enquanto expressão cultural e instrumento de acesso à educação e da igualdade de oportunidades;


i) Assegurar aos filhos dos emigrantes o ensino da língua portuguesa e o acesso à cultura portuguesa;


j) Assegurar aos filhos dos imigrantes apoio adequado para efectivação do direito ao ensino.

sábado, 2 de junho de 2007

segunda-feira, 21 de maio de 2007

]MOVE[: um ano de actividades, mudanças e abertura

Fazer um movimento. Que não repetisse os erros do presente e do passado, propondo mais do que a acomodação ou os protagonismos vazios. Que fosse aberto e mobilizador, onde o que se faz e como se faz fosse partilhado, discutido e construído por quem nele participa. Que exigisse mais da Escola e disputasse todas as dimensões da vida que vamos tendo nela, não tendo medo de olhar para fora dos muros que a rodeiam. Coisas que parecem simples, mas que faziam falta... ]MOVE[ – movimento aberto por outra vida na Escola – um nome grande, porque era preciso afirmar várias urgências.


Abril de 2006. O tempo corre... Sem darmos por isso, já lá vai mais de um ano. Tempo que não custou a passar, porque nunca quisemos deixar de fazer o que nos pareceu inadiável.


Discutir a ciência, a Escola e o que acontece no mundo, alargar a participação de pessoas, dialogar com outros movimentos (de estudantes e não só), mobilizar para os momentos de reflexão ou acção no ISA e fora dele: coisas que escolhemos fazer, em pouco tempo porque estamos (todos) atrasados.


Começámos a nossa actividade com a exibição do filme “Fallujah – um massacre escondido”, porque recusamos a proposta da guerra como forma de fazer política e achamos que temos uma palavra a dizer para a parar. Ajudámos nas mobilizações contra as injustiças de Bolonha e o projecto de privatização do ensino. Quisemos ajudar a trazer o indispensável debate científico para a Escola, onde cada vez mais se decora para depois se fazer “paste” num qualquer exame – as “Conversas entre a ciência e a sociedade” foram, sem dúvida, um momento diferente na vida do ISA. Recusámos o crescimento da cultura do medo e da violência da extrema-direita: em Letras ou noutro sítio qualquer. Juntámo-nos às vozes que se levantam contra a precariedade no trabalho e na vida – a iniciativa MayDay foi uma primeira experiência que valeu a pena percorrer. Assistimos ao aparecimento de vários grupos de estudantes em faculdades de Lisboa, todos eles partindo de uma crítica à imobilidade e ao derrotismo do movimento associativo institucional – e com eles fomos dialogando e fazendo acções conjuntas, porque o nosso objectivo nunca foi a auto-satisfação com o nosso “cantinho”. Pelo caminho, editámos cinco vezes um jornal – Movementθ – que nos serve para comunicar e aprender colectivamente, ao mesmo tempo que investimos as nossas energias e reflexões na construção de um blog que queremos que seja cada vez mais um sítio de actualidades (e que tem sido, também, cada vez mais visitado).


Neste percurso, procurámos várias coisas. A agenda e os temas que escolhemos não foram, obviamente, um acaso. Mas também a escolha – tantas vezes definida como impossível ou, outras tantas, como “demorada” – de fazer um caminho de aprendizagem (entre nós e com outros) foi sempre essencial. É por isso que podemos hoje dizer que valeu a pena pensar antes de fazer; que foi bom desafiar pessoas, muitas delas do ISA, para reflectir e opinar – porque ainda vale a pena; mas, sobretudo, sabemos hoje mais do que há um ano, mesmo que isso seja ainda (será sempre!) menos do que gostávamos.


Dito isto, sabemos que ainda está tudo por fazer. Mas também sabemos que podemos e queremos começar um caminho (em aberto), feito com todos os que o quiserem experimentar. Com todas as dificuldades, agora será certamente mais fácil.

terça-feira, 8 de maio de 2007


“País precário saiu do armário”

O primeiro MayDay Lisboa saiu à rua no 1º de Maio. Mais de 300 pessoas se juntaram para dar visibilidade ao tema da precariedade e dançar contra a incerteza cada vez mais certa das nossas vidas.

Estudantes-trabalhadores trabalham em “call-centers”; recém licenciados trabalham cada vez mais fora da área em que se formaram; licenciados dificilmente encontram contractos; os contractos são cada vez mais curtos; os recibos verdes não dão direito à Segurança Social; as incertezas aumentam; a independência adia-se; a independência é difícil de manter.

E estas são razões suficientes para que vários grupos que têm surgido em diferentes faculdades se quisessem juntar a várias associações para construir a festa do Dia do Trabalhador (Precário).
A circulação dos panfletos e a colagem dos cartazes duraram até à Festa “Na Corda Bamba”, na Karnart. Passaram por lá centenas de pessoas, que se iam despedindo com um “até amanhã” – amanhã, o “dia de Maio”.

O dia 1 do “mês do coração” começou com a feijoada na Alameda D. Afonso Henriques e acabou molhado na Alameda da Cidade Universitária (pelo caminho ficaram o Ministério do Trabalho Temporário e o São Precário com o menino nos braços).
Aqui (onde, ironicamente, se constroem os precários), Carvalho da Silva diz aos milhares de pessoas que a “luta contra a precariedade laboral é uma luta de todos trabalhadores” – tema, aliás, aproveitado por João Proença, secretário geral da UGT, e por Vieira da Silva, Ministro do Trabalho e da Solidariedade Social.

Se o MayDay, além de divertido, pôs toda a gente a pensar ou a falar de precariedade, então valeu o empenho.
Aproveitemos este empenho e esta energia para ir transformando o nosso quotidiano. E no próximo ano, há outro Maio (menos precário?).

Melhor para o coração, só sem vidas precárias.

domingo, 29 de abril de 2007

Precariedade rima com Universidade

Sentado na sua cadeira de tábua-pã num qualquer anfiteatro de uma qualquer universidade um qualquer estudante pensa no seu futuro dourado. Nesse futuro não se inclui a precariedade do seu emprego.


Vejamos o que se passa hoje em dia nas universidades deste país: Bolonha, propinas, lóbis empresariais, bancos, praxes conformistas, arraiais das cervejas (os Académicos)… a precariedade não existe já na própria Universidade?


Falemos de Bolonha, a grande mudança necessária para aproximar o sistema de ensino português ao ensino europeu segundo ordens que vêm de cima. Para reflectir sobre o resultado do exercício democrático que este processo nos trouxe podemos certamente aproximar-nos do zero, foi uma ordem novamente ‘necessária’ para uma nova ordem europeia. Este mandamento é também um teste ao nível de consciencialização e aceitação que existe nas faculdades. O barulho e a acção foram poucos, porquê?


O que nos trouxe este processo foi a precarização do ensino universitário, adaptado ao que nos propõem no resto da vida: os cursos passam a ser mais curtos e organizados de uma forma mais leve e europeia para libertar os estudantes para o mercado de trabalho de uma forma mais célere. Mais desempregados e menos trabalho e está criada a possibilidade de as empresas poderem oferecer piores salários. Adensam-se também as condições para o culto do individualismo que facilitam uma menor preocupação com as desigualdades impostas. Mas para quem quiser continuar a estudar, só tem de pagar, e bem, e aí aumentam os encargos com as famílias, aumenta a pressão ao trabalhador-estudante e diminuem os diplomas para quem deixa de poder. O ensino é cada vez menos um direito e cada vez mais uma mercadoria. É a escola-empresa!


Voltando ao modo de como este processo foi implementado, ou seja, rejeitando qualquer discussão democrática entre todos os órgãos da universidade, fala-se agora do período de adaptação a este novo paradigma, e não há respostas. Como vão ser os pagamentos ao segundo ciclo? Haverá diferenciação entre os anteriores licenciados e os novos? Uma implementação que gera a confusão e a constante adaptação é também um sintoma dos tempos em que se quer as pessoas em constante movimento, sempre com dúvidas em relação à sua estabilidade de estudante ou de trabalhador que se vão convertendo num modo de vida, o da precariedade. Podemos falar também de outra suposta pedra de toque desta Bolonhada, a mobilidade e a flexibilidade, que só nos trazem um alargamento deste mercado de trabalho a nível europeu e a possibilidade de as empresas terem contacto com uma mais vasta comunidade de desempregados e ‘comprá-los’ ao mais baixo preço.


Assim não é preciso sair da universidade para ser precário, o que podemos definir como ‘o conjunto de condições materiais que implícitamente levam à negação de quaisquer direitos laborais’. As coisas hoje em dia não são tão escondidas assim, são até demasiado óbvias e será a maneira como as aceitamos no presente que definirá o nosso futuro dourado.


Rebelemo-nos! No 1º de Maio, tod@s ao MayDay!!

MayDay!! MayDay!!



"Não tenhas medo. Afinal de contas, quando acabares a tua licenciatura vais com certeza
arranjar um emprego na área que andaste a estudar. Ou será que não? Vai ser difícil com a falta de oferta de emprego e a vida de bolseiro não oferece garantias a ninguém.
Mesmo assim, se não arranjares nada na tua área podes sempre arranjar um emprego precário num call-center, numa caixa de hipermercado ou num restaurante de comida rápida. Aí receberás apenas uma parte daquilo que precisas para pagar as contas. Mas não há problema, porque é fácil arranjar empregos precários. Com 3 empregos precários já te aguentas bem. Pelo menos enquanto os patrões te quiserem lá. E depois? Vais ser precário para o resto da tua vida? Vais ser estagiário ou bolseiro para o resto da tua vida? Vais viver do subsídio de desemprego para o resto da vida? Afinal, é bom que tenhas medo. No dia 1 de Maio rebela-te e revela-te na Parada Mayday."


O MayDay é uma parada d@s precári@s, organizado em Milão desde 2001 e desde então generalizada a várias cidades europeias e, pela primeira vez este ano, no Japão e nos EUA.
A primeira parada MayDay é uma festa rebelde que junta operadores de call center, imigrantes, bolseiros, intermitentes do espectáculo e do audovisual, estagiários, desempregados e contratados a prazo, estudantes-(já/ainda/quase)-trabalhadores, etc...
No MayDay, a 1 de Maio, juntamo-nos contra a exploração, contra o emagrecimento dos apoios sociais e à habitação, desafiando o cizentismo da ordem neoliberal, iniciando um percurso de mobilização e de visibilidade.

No dia do Trabalhador, o precariado rebela-se!




PARADA 1º DE MAIO
ALAMEDA D. AFONSO HENRIQUES

PIC-NIC ÀS 13H

PARTIDA ÀS 14H EM DIRECÇÃO À PRAÇA DE ALVALADE


DESFILE COM A MANIFESTAÇÃO DO DIA DO TRABALHADOR

www.maydaylisboa.net

quarta-feira, 25 de abril de 2007

As Leis da Praxe são Outras


As queixas sempre chegaram... Sempre houve e continua a haver gente descontente com a situação... Há pessoas que não percebem... Outros questionam-se... Alguns revoltam-se... Outros tentam mudar!


Praxe! Porquê? Quando? Como? Onde? Eu?


Porque há gente que pensa e não se rende ás “inevitabilidades” impostas por outros. Não aceitam o conformismo. Questionam-se a respeito dos obstáculos que na vida vão encontrando e procuram as suas motivações e razões de existência. Depois lutam contra todas dificuldades que estão directa ou indirectamente relacionadas com o superar destes obstáculos.


É este o caso de Ana Sofia Damião que foi vítima de abusos aos quais lhe chamam “praxe”, onde sofreu as mais diversas formas de agressão e humilhação com repercussões físicas e psicológicas. Várias vezes afirmou que não queria ser “praxada” mas nestas situações de nada servem as vontades dos “caloiros” aos olhos dos “veteranos”. Indignada com a situação, apresentou uma queixa em tribunal contra os agressores. Parece que esta é a opção mais lógica para qualquer pessoa que seja agredida ou insultada por qualquer estranho em espaço público e com várias testemunhas do sucedido. Pois é, mas isso era se isto fosse numa outra qualquer situação que se passasse num espaço público “normal” sem este escudo protector que se chama tradição académica. No julgamento os agressores foram ilibados com o ridículo argumento de que a Ana Sofia já sabia que a praxe existia na Escola logo tinha de se submeter à sua lei (Instituto Piaget de Macedo de Cavaleiros - IPMC) e que era assim mesmo, por isso, se ela não queria não tinha nada de ir para lá. Parece que as leis da praxe são outras que não aquelas que são utilizadas no resto do nosso espaço social.


No decorrer deste processo a Ana Sofia tomou conhecimento de que os responsáveis da escola utilizaram o seu caso para publicitar o nome da instituição a nível nacional, como declarou João Domingos Sanches, docente e membro do Conselho Científico e Pedagógico do Piaget ao jornal Correio da Manhã no dia 2004-12-05, com o artigo “PÔR A PRAXE A RENDER”.


Indignada com a situação a Ana Sofia apresentou uma nova queixa em tribunal, agora contra o IPMC, pela sua incapacidade, irresponsabilidade e até cumplicidade para com os agressores no decorrer deste processo. Situações destas não são novidade dentro do IPMC, mas ninguém fala delas porque “as pessoas temem represálias e calam-se. Isto passa-se ao nível de alunos e professores” (João Domingos Sanches).


É explicitamente visível neste caso o tipo de relações de poder existentes dentro da Escola e entre esta e o resto da sociedade. Vários poderes estiveram envolvidos, Associações, Conselho Directivo, Ministério (portanto o Governo), Tribunal, e todos se posicionaram contra a Ana Sofia. Inclusive até no Parlamento se pensou em regulamentar a praxe, aqui houve uma clara divisão entre a esquerda (que se opôs) e a direita (a proposta foi feita pelo CDS-PP). Questionamo-nos assim: Qual a importância da praxe para quem a defende? Qual o interesse em perpetuá-la? Ela levou a que todos se pronunciassem a seu respeito.


No dia 2 de Maio saberemos o resultado deste julgamento – o Tribunal de Macedo de Cavaleiros vai pronunciar-se sobre a matéria provada. O que está em causa é saber se o IPMC é ou não responsabilizado pelos atropelos à vida da Ana Sofia Damião. Mas é, no fundo, muito mais do que isso: aquele tribunal pode inaugurar uma nova fase nas relações vividas na comunidade escolar, se escolher não voltar a fechar os olhos à evidência e finalmente mitigar a força das "leis" da praxe.


Estas são questões essenciais, que devem preocupar todos os que vivem e constroem o espaço Escola. O ]MOVE[ está consciente da importância da clarificação que representa o desfecho deste caso. Tal como a Ana Sofia Damião, não desistimos – queremos derrotar o conformismo perante supostas "inevitabilidades", por outra vida na Escola!
Resumo da conversa 'PENSAR E VIVER CIDADE'


Depois do Rural e das Agriculturas, as conversas entre a ciência e sociedade foram até à cidade, para conversar com as pessoas que respondem na sua vida, ao desafio de "pensar e viver a cidade”.


O eco das conversas passadas continuou a ouvir-se na sala de actos. A plateia, bastante preenchida não deixou perder o desafio que se propôs a todos, e felizmente, talvez sinal de que já se está a mudar algo, houve muitas opiniões discutidas abertamente entre a mesa e a plateia. Uma troca bastante frutífera, que permitiu a quem esteve lá, sair com novas ideias/soluções para se pensar e fazer cidade.


Na primeira mesa, cujo tema era a pergunta O QUE ESTAMOS A PLANEAR?, a professora Manuela Raposo Magalhães fez uma apresentação do actual planeamento em Portugal com mais ênfase nos Planos Directores Municipais (PDM) que ainda assim são um modelo de planeamento insuficiente e facilmente alteráveis. Falou dos interesses entre as autarquias e as empresas de construção que as financiam através das operações urbanísticas que levam a cabo, da edificação estar entregue à iniciativa privada reflectindo a paisagem resultante, mais a força do mercado imobiliário do que as intenções do planeamento. Alertou ainda para a corrupção urbanística, que se baseia principalmente na passagem do solo rural para solo urbano, onde os valores dos terrenos se inflaccionam brutalmente e para o problema da falta de formação técnica das autarquias.

O Economista Heitor de Sousa, o segundo interveniente, começou por denotar alguma retórica provocatória na pergunta/tema da mesa, O que estamos a planear? “Aquilo que alguns andam a tentar fazer por nós!”, alertando assim para o problema da falta de participação pública no planeamento e consequente falta de legitimação deste. Falou que os planos são encarados com pouca seriedade, visto que só 30% do conteúdo dos mesmos são executados. Alertou para o facto dos planos de ordenamento do território poderem ser alterados pelo ministro da tutela, indo contra a lei, contra as opiniões dos técnicos, subvertendo-se a lógica do plano, para eventuais interesses de outras ordens. Questionou-se também acerca do planeamento das áreas metropolitanas a nível Europeu, um planeamento aliado ao capitalismo, em que se pensam as áreas metropolitanas como áreas de competição europeia, contrariando as ideias de planeamento regional.

Dos desafios que ficaram subentendidos nesta primeira mesa, enunciam-se os que estão ligados às universidades: a promoção de cursos sobre a temática do ordenamento do território, para a sociedade e para as entidades políticas, a promoção da transdisciplinaridade dos conhecimentos, através de uma melhor cooperação entre departamentos e na constituição de projectos em que se envolvam alunos de diferentes cursos. Para os movimentos populares quer-se uma melhor organização e cooperação entre os vários movimentos assim como a denuncia directa de situações irregulares que pode ser feita por qualquer indivíduo ao Ministério Público.


Na segunda mesa - A CIDADE E AS PESSOAS: INCLUSÃO, EXCLUSÃO, DEMOCRACIA, PARTICIPAÇÃO - participaram em primeiro lugar Jaime Pinho e Fernanda Gonçalves. Estes fizeram uma abordagem mais descritiva dos bairros de reabilitação do projecto SAAL que foi em muitos dos casos mostrados um projecto de sucesso no que toca à melhoria das condições de vida das pessoas realojadas porque conciliou a actividade dos projectistas com as opiniões e necessidades dos então futuros moradores.


Depois seguiu-se a apresentação do Sociólogo Nuno Santos (‘Chullage’) que nos veio falar da sua experiência como habitante de um bairro social na Arrentela, e também da sua intervenção no planeamento democrático de projectos de bairros sociais em Portugal. Indicou a ghettização destes espaços como a principal causa dos seus problemas, pois são construídos em zonas muito desfavoráveis, “sem espaço cultural e económico”. Mais uma vez se falou na necessidade de um planeamento conjunto, entre aqueles que projectam e os que são visados pelo projecto.


O Professor João Nunes falou acerca dos valores éticos do arquitecto paisagista na elaboração dos seus projectos, que por princípio são elaborados para as pessoas em detrimento do benemérito pessoal dos profissionais.


O debate que se seguiu, ancorou-se nas questões ideológicas por detrás da reabilitação de bairros e da construção de bairros sociais, onde se constituiu um espaço com bastante profundidade reflectiva, que permitiu a cada pessoa pensar por si própria o cerne da questão.


Agradecemos a todos os que assistiram e participaram na “conversa”, tornando possível a troca de ideias que julgamos ser essencial para que se mude alguma coisa, para melhor. Esta é só a primeira parte do processo. Agora falta assumirmos os desafios que foram discutidos!

segunda-feira, 23 de abril de 2007

25 de ABRILCom 33 anos passados da Revolução de 25 Abril de 1974 o ]movE[ convida todos e todas a ver o filme "A Lei da Terra - Alentejo 76". Este é um documentário produzido durante o processo da Reforma Agrária em Portugal onde através de imagens reais se analisa as contradições, progressos, bloqueios e dúvidas que surgiram neste processo. Será uma óptima oportunidade de tomarmos contacto com esta etapa da Revolução e, como sempre, haverá um espaço de conversa onde poderemos falar sobre o 25 de Abril hoje e também o que significa esta luta pela liberdade.

segunda-feira, 16 de abril de 2007

"Pensar e Viver a Cidade"
3º Conversa entre Ciência e Sociedade
I.S.A



A cidade, um local de encontro e de troca de experiências, onde a concentração de pessoas e a sua diversidade permitiu historicamente que novas ideias surgissem com um ritmo superior: é, portanto, um local de transformação e democracia, que pode e deve ser discutido por todos.

Falar de planeamento, de transportes, de cultura e de democracia, das decisões técnicas, das decisões políticas e de quem as vive, quer seja no "centro" ou na "periferia", é o que propomos nesta conversa. Convidámos pessoas que respondem, na sua vida, ao desafio de "pensar e viver a cidade": professores do ISA, da Secção Autónoma de Arquitectura Paisagista; também quem está mais perto dos órgãos de decisão e aí disputa opiniões técnica e politicamente; quem se interessa e estudou a participação popular na construção do espaço; e ainda quem organiza o associativismo que não aceita a exclusão social e espacial como destino para as suas vidas.

Esta conversa é acima de tudo uma oportunidade de se debater democraticamente um tema em que todos temos algo a dizer. Se não fosse assim, não faria sentido e como tal todos convocamos.


segunda-feira, 2 de abril de 2007

Viva quem muda Sem ter medo do escuro,
conversas na esplanada de Letras


Depois de todo o clima de medo que pairou nas últimas semanas na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, o Grupo Manifesto – surgido na sequência destes acontecimentos – decidiu enfrentar esses receios de frente e organizou uma conversa na esplanada do bar de letras no dia 29 de Março. Numa tarde solarenga, os temas abordados tocavam em dois pontos fulcrais: o racismo e a extrema-direita. Mas houve também espaço para pensar noutras dimensões do quotidiano, da Escola, da vida.

Para começar 3 músicas, duas vozes (Pedro e Diana) uma guitarra e um acordeão, na última música cantavam “O medo… é mentira”.

A mesa era composta por 4 pessoas. Rui Faustino em representação do Museu República e Resistência, descreveu a história do fascismo e como este sempre ascendeu em épocas de crise. José Mário Branco, músico e estudante de Letras, falou de irracionalidade e ignorância da extrema-direita, por outro lado a necessidade de combate do fascismo que existe dentro de nós.

Eduarda Dionísio, escritora, veio questionar e discutir o que é a liberdade e como há 40 anos, apesar das dificuldades, esta era maior dentro das faculdades do que “lá fora”. Por fim Tiago Gillot, em representação do SOS Racismo, falou-nos do racismo institucional e da pressão que esta organização tem feito sobre as entidades responsáveis nesta escola, devido à ascensão nestes locais da extrema-direita e ainda da importância da actividade e da organização das pessoas para afirmar outras coisas.

A seguir abriu-se um debate onde muitas pessoas falaram, exprimindo sem medos a sua opinião. Esta tarde de convívio e de conversa, demorou 4 horas e albergou mais de uma centena de pessoas. Provou-se mais uma vez que é possível conversar, que é possível abrir a Escola ao exterior, tornando-a um local de ideias e discussão.

O ]MOVE[ felicita esta iniciativa, aproveitando para saudar a existência de mais um grupo de estudantes numa faculdade que quer romper com as velhas agendas. A promessa feita no debate pelo Grupo Manifesto de continuar a sua actividade deixa-nos entusiasmados. Até já!

quarta-feira, 28 de março de 2007

Derrota da Extrema-direita na Faculdade de Letras!
(comunicado de imprensa)


O resultado das eleições para a Associação de Estudantes da Faculdade de Letras de Lisboa derrotou esmagadoramente o medo e a ameaça promovida pelos representantes da lista X, composta por elementos de extrema-direita, cujos nomes não foram sequer divulgados.

A participação nestas eleições excedeu significativamente a dos últimos anos. Os resultados foram conhecidos já na madrugada de hoje. Das cerca de mil pessoas que votaram 2ª e 3ª feira, cerca de 91% opuseram-se, com o seu voto, à lista em questão, numa demonstração clara da mobilização dos estudantes contra o crescimento e legitimação de grupos com ideais fascistas na nossa sociedade. É igualmente uma derrota da recente operação cosmética aplicada ao fascismo e às suas figuras.

No entanto, esta importante derrota dos estudantes de extrema-direita, não deixa de comprometer os responsáveis da Faculdade de Letras, assim como os das restantes faculdades e entidades políticas, na tomada de medidas que impeçam atitudes violentas, intolerantes e racistas.

Os grupos que subscrevem este comunicado trabalham nas suas faculdades por um espaço aberto e democrático, procuram uma Escola sem Racismo e lutam pela liberdade.

28.03.07

G.A.E. - Grupo de Acção Estudantil (ISCTE)
M.A.T.A. - Movimento Anti “Tradição Académica”
MISTA - Movimento por um IST Alternativo (Instituto Superior Técnico)
]MOVE[ - Movimento Aberto por Outra Vida na Escola (Instituto Superior de Agronomia)


segunda-feira, 26 de março de 2007

Cartaz sobre a não participação nas "Jornadas do Ambiente"

Este foi o cartaz que gerou polémica. É um cartaz que anuncia as razões pelas quais o ]MOVE[ não participou nas "Jornadas do Ambiente" organizadas pela AEISA.


A discórdia em relação ao tema fez com que pessoas da Associação de Estudantes não deixasse o cartaz colado na parede, com a pequena justificação de que «não tinha carimbo». No dia se guinte, o cartaz voltou à parede; a conversa com o presidente da AEISA foi clara em relação a isso e foi unânime que a "Guerra dos Cartazes" não podia, jamais, prolongar-se no tempo. No terceiro dia, já não havia cartaz novamente (alguém sem nome o arrancou).


Não podemos andar para trás: o tempo em que as pessoas têm que pedir autorização para falar já não devia existir; o tempo em que nos roubam as palavras da boca, para ninguém as ouvir, já devia ter passado?

terça-feira, 20 de março de 2007

Iraque, 4 anos de ocupação

A invasão do Iraque está a fazer quatro anos. Mas, mesmo do lado de quem a “inventou”, há poucos motivos para celebrar. Passado todo este tempo, o Iraque é hoje um território com destino incerto, onde reina o caos e a violência. Mortes, massacres e um novo fôlego ao radicalismo religioso – é este o balanço de uma guerra injusta e ilegal, baseada numa mentira imperial que escondia a cobiça pelo controlo do petróleo da região. Nas ruas do Mundo, houve e há gente a recusar a guerra.

As armas de destruição em massa e uns pozinhos de “cooperação com o terrorismo” eram as acusações que pendiam sobre o regime iraquiano no momento da invasão. Ora, não foi possível manter a mentira muito tempo: sabe-se há muito que ambas as alegações eram falsas e que as “preocupações” eram outras – a Administração Bush, com os seus “aliados”queriam deter os recursos energéticos da região e estavam dispostos à mentira da guerra para isso. Foi assim deposto o sanguinário regime de Saddam – o mesmo que mereceu apoio nas décadas anteriores pelo mesmo arco que se aliou para o declarar como pertencente ao “eixo do mal”.

Hoje o Iraque é um atoleiro. A violência e a guerra (civil, também) não parecem ter fim à vista. A irresponsabilidade dos interesses criou um barril de pólvora que não consegue resolver. Pelo caminho já ficaram as promessas de “libertação e melhoria da vida do povo iraquiano” ou de “democracia”.

Mas todo este poder económico e militar – e a sua propaganda – provou ter os seus limites. A 15 de Fevereiro de 2003, pela primeira vez, uma manifestação mundial com milhões de pessoas tentou evitar a guerra, naquela que foi a maior mobilização popular planetária de sempre. Também nos últimos dias, em vários pontos do Globo – diversas cidades dos Estados Unidos ou em Espanha, por exemplo – várias vozes exigem o fim da ocupação, apelando à paz e à retirada das tropas.

O ]MOVE[ iniciou a sua actividade, há praticamente um ano, justamente denunciando os horrores e injustiças desta guerra de ocupação e destruição. “Fallujah – o massacre escondido” foi um filme que nos ajudou a debater a urgência de parar a guerra. Começámos assim porque achávamos (e ainda achamos) que é possível e preciso que a Escola pense e tenha uma palavra a dizer sobre o que acontece no Mundo. Sabemos que ainda está (quase) tudo por fazer, mas queremos continuar.

sexta-feira, 16 de março de 2007

Não podemos aceitar a ameaça do racismo e da violência na Escola!

(Extrema-direita tenta usar a Faculdade de Letras como “palco”)

Nos últimos dias, a extrema-direita organizou-se para deixar várias mensagens de ódio e eliminar a comunicação de várias organizações nas paredes da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa. “Portugal aos portugueses” ou “Fascismo é a solução” são apenas algumas das frases escolhidas para intimidar toda a comunidade escolar.

Ontem, dia 15/03/2007, juntaram-se vários estudantes, sobretudo daquela faculdade, para pintar um mural que recusasse a violência, o racismo e a ameaça.

Na tarde de ontem, várias dezenas de skinheads marcaram presença física no local e, sentindo a impunidade de que gozam, ameaçaram as pessoas que pintavam o mural – até fotografias tiraram, “nas barbas” da polícia!

Sim, da polícia! Porque o Conselho Directivo, que tinha ficado indiferente às mensagens anteriores (e, inclusivamente, declarou hoje que as preocupações dos estudantes são apenas “desabafos”!!!), fez por impedir esta iniciativa e chamou a polícia. A polícia impediu que o mural fosse terminado e “convidou à retirada” dos seus executores, “escoltando-os”. Ficaram os skinheads, impunes, que puderam continuar a rir e a passear a sua atitude (também) de policiamento.

O MOVE sabe que este não é apenas um assunto da Faculdade de Letras. Ironicamente, é impossível estabelecer fronteiras quando falamos da ameaça da violência racista e fascista. Não é possível aceitar que ela chegue (também) à Escola, perante a indiferença de toda a gente que tem responsabilidade! Afirmar a preocupação com o que hoje aconteceu em Letras é reconhecer que este problema toca a todos – não podemos aceitar a ameaça do racismo e da violência: na Escola e na vida toda, mesmo que pareça que ainda “não é connosco”...

Sabemos que este é um sintoma de uma Escola que definha perante vários vazios. Mas também sabemos que é possível afirmar outras coisas e fazê-las.

Abril, que está à porta, marcará mais um aniversário da revolução portuguesa que pôs fim a meio século de perseguições, torturas, guerras e mordaças. Mas celebrá-la tem que ser mais do que uma “obrigação” decorrente do calendário oficial. Fazer mais do que “picar o ponto” das efemérides é repensar hoje o que aconteceu antes, mas arriscando pensar no presente e no futuro, sabendo que é aí que está a urgência da transformação. O MOVE, no ISA, tentará fazer isso mesmo.

quinta-feira, 15 de março de 2007

PARA LÁ DOS MUROS

Um Encontro para discutir a Escola e dar outros passos

Nos passados dias 24 e 25 de Fevereiro, o MATA (Movimento Anti “Tradição Académica”) organizou “um Encontro para discutir a Escola e dar outros passos”. Foi um fim-de-semana com muito para pensar, falar e... juntar.

Para um dos pontos do Encontro, o MATA convidou vários grupos de estudantes: além do ]MOVE[, o GAE (Grupo de Acção Estudantil, ISCTE), o MISTA (Movimento por um IST Alternativo, Técnico) e a Des1biga (uma revista da Faculdade de Medicina de Lisboa); apareceram ainda pessoas – muitas delas organizadas em colectivos – do Porto e de Coimbra. Foi a primeira vez que estas pessoas se encontraram para debater dificuldades, sucessos e perspectivas.

A generalidade destes grupos é muito recente. Em toda a sua diversidade, une-os o facto de constatarem a necessidade de mudanças no movimento estudantil, cada vez mais incapaz de responder aos ataques à Escola e propôr outras coisas.

É justamente esta a conclusão mais importante que se pode tirar destas primeiras horas de conversa: há muito para fazer e, continuando o trabalho que cada colectivo faz na sua faculdade, nada impede de pensar em iniciativas conjuntas no futuro.

O ]MOVE[ sabe que esses “passos” que precisamos de dar têm que ser feitos com muita gente. Não nos satisfazemos apenas com o que diz respeito à nossa faculdade – nem nas nossas actividades (no seu conteúdo e intervenientes) nem nos nossos objectivos. Sabemos que há muito que nos une aos que estão “para lá dos [nossos] muros”. Esta boa iniciativa do MATA, ao permitir esta troca de experiências, preocupações e contactos, pode ser o início de um percurso em que possamos encontrar mais gente e fazer mais.

domingo, 10 de dezembro de 2006

"Agriculturas", afinal podemos continuar a conversar

E assim decorreu a “2ª conversa entre a ciência e sociedade”, cujo o tema era “Agriculturas”. Assim como em todos os eventos do ]MOVE[, a conversa tinha como objectivo transportar para o ISA temas que achamos necessários abordar e discutir no interior das escolas, que infelizmente cada vez mais, estão fechadas à sociedade.
Sendo o tema “Agr
iculturas” parece que nada traria de novo para uma escola agrária. Mas não foi isso que se provou: os temas que foram abordados são, estranhamente, assuntos pouco ou nada falados.
Na Sala de Actos apareceram várias dezenas de estudantes e professores dos vários ramos científicos, que assim como nós sentem a necessidade de ouvir e discutir.

Na primeira mesa cujo o tema era Agriculturas no mundo, desigualdade, pobreza e Sida, o Professor Carlos Cabral, fez a introdução global do tema, apresentado dados e estatísticas, relacionando as desigualdades agrícolas com a pobreza mundial e a necessidade extrema de combater a fome em África e noutras zonas de exclusão no planeta. A Professora Marina Temudo retratou a realidade de São Tomé e Príncipe, a história agrícola e a reforma agrária, apresentando vários casos de sucesso de pequenos agricultores que apesar do escasso apoio, resistem e inovam.
Por fim, o Professor Manuel Andrade expôs a realidade brasileira, explicando historicamente como o colonialismo impôs uma realidade agrária que, até hoje, determina um difícil acesso à terra e como as pessoas combatem esse problema actualmente.

Na 2ª mesa cujo tema era “Que agriculturas para o Futuro?”, o Professor Mário Carvalho falou-nos da agricultura de conservação, expondo vários dados que demonstram as vantagens da sementeira directa. O Engenheiro José Carlos Ferreira, representando a AgroBio, expôs os conceitos da agricultura biológica e que vantagens se podem retirar das suas culturas. Por fim o Professor Manuel Correia, desenvolveu o tema da Agricultura Tropical, quais os actuais problemas e que perspectivas e soluções há para o futuro.

As exposições foram sempre seguidas de debate, onde o público apresentou as suas perspectivas e/ou dúvidas, demonstrado que todos temos algo para ensinar e aprender.

Agradecemos a todos os convidados e assistentes destas conversas. Que com o seu apoio demonstraram que ainda é possível discutir coisas nas nossas escolas. Com este apoio sentimos que podemos e devemos continuar. O próximo semestre contará, certamente, com novos temas. Até breve.

sexta-feira, 1 de dezembro de 2006

Agriculturas

6. Qua. Dezembro
14h Sala de Actos (I.S.A.)
















Depois da "1ª conversa", damos continuidade a esta ideia, escolhendo um plural que nos parece fundamental e tantas vezes esquecido nas aulas e nos debates que vão, lentamente, tendo lugar. As "Agriculturas" que percorrem o país e o mundo são agora o desafio para esta conversa: porque estamos cansados de ver ignorada a evidência de que há mais agricultura para além do modelo que ainda vai dominando o contexto europeu e ocidental; porque há outras relações com a actividade agrícola, noutras partes do mundo (e até bem perto de nós), que exigem reflexão; porque há demasiada gente no mundo que, dependendo directamente da agricultura para viver, está votada à pobreza ou ao êxodo.


É este o mote para mais um momento que, esperemos seja de reflecção. Para que os "muros" do ISA se possam abrir ás realidades que fazem parte do presente e do futuro




segunda-feira, 27 de novembro de 2006

"O Rural", afinal podemos todos conversar

A “1ª conversa” já aconteceu! Foi no passado dia 23 de Novembro, na Sala de Actos, que chegou a estar quase cheia. Várias dezenas de pessoas passaram por lá e muitas delas participaram activamente no debate. O rural, que vai sendo, estranhamente (ou talvez não...), uma realidade relativamente distante para a maioria da comunidade escolar no ISA foi, desta vez, o mote.

A discussão, organizada em duas mesas, foi lançada por oradores de diferentes proveniências (científicas, nomeadamente), mas cujas preocupações passam pelo estudo do mundo rural: o Prof. Oliveira Baptista (que falou, entre outras coisas, sobre os percursos e as mudanças no rural); o Prof. Orlando Rodrigues, do Instituto Politécnico de Bragança (que partilhou as suas reflexões sobre a questão do abandono); o Prof. Castro Caldas (que introduziu a temática do desenvolvimento, no âmbito dos territórios rurais); e o Prof. Luís Moreno, docente na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa e dirigente da ANIMAR (que falou no movimento associativo para o desenvolvimento local e no quadro institucional em que ele se desenvolve).

Fez-se, portanto, aquilo que se vai dizendo ser “muito difícil”: juntar alunos, professores, funcionários e até pessoas que nada têm a ver com o ISA para “sair da sala de aulas” e pensar em conjunto sobre temas que dizem respeito a todos.

Quem por lá passou sentiu que estamos perante esta urgência. Foi talvez por isso que muitas pessoas – na mesa e na plateia – gastaram algum do seu tempo a falar em muros. Não aqueles que delimitam os terrenos agrícolas, definindo a propriedade. Mas aqueles que, simbolicamente, vão sendo levantados na Escola, no seu interior e na sua relação com a realidade quotidiana.

No final, alguém dizia que “hoje abriu-se finalmente uma janela para um diálogo entre as pessoas no ISA”. O ]MOVE[, desde o seu aparecimento, sempre buscou esse objectivo. Continuaremos, com as nossas possibilidades, a fazer esse caminho. Sabemos que nunca será possível – nem faria sentido – fazê-lo sozinhos. É esta a dimensão da nossa abertura.

A “2ª conversa” deste ciclo está já agendada para o próximo dia 6 de Dezembro e terá como tema as “Agriculturas”, onde pretendemos discutir as “Agriculturas no mundo, desigualdade, pobreza e SIDA” e ainda “Que agriculturas para o futuro?”. Iniciaremos brevemente a sua divulgação e contamos com a presença de todos.

Jornal MovementO especial
"O Rural"



















Esta Edição Especial do MovementO, apresenta textos do
Prof. José Portela (U.T.A.D.), Prof. Fernando Oliveira Baptista (I.S.A), Prof. Orlando Rodrigues (Instituto Politécnico de Bragança), Tiago Gillot (aluno de Eng. Agronómica). Os Textos incidem na caracterização e perspectivas de futuro para "O Rural".


sábado, 18 de novembro de 2006

O Rural

conversas entre ciência e a sociedade

23 Qui. Novembro
14h Sala de Actos (I.S.A)














O ]MOVE[ nasceu com a determinação de responder ao desafio inadiável de contribuir para mudar a vida na Escola. Queremos ajudar a trazer o quotidiano para dentro da faculdade, juntando pessoas para pensar sobre ele.

É por isto que decidimos fazer algo que é, infelizmente, cada vez menos vulgar: discutir ciência fora das aulas e procurar as suas relações com as vidas – onde ela não pode ser apenas um dado adquirido ou um simples conceito plasmado num livro que é preciso estudar para o próximo exame.
É assim que arriscamos organizar um conjunto de "conversas entre a ciência e a sociedade".

segunda-feira, 13 de novembro de 2006

Debate sobre a Interrupção Voluntária da Gravidez
Mais uma vez, a prova de que o quotidiano pode e deve chegar à Escola


No passado dia 9 de Novembro, decorreu um debate no ISA em torno da questão da interrupção voluntária da gravidez, promovido pelo ]MOVE[. A razão para o termos organizado é óbvia: será em breve marcado um referendo que perguntará ao País se quer ou não alterar o actual quadro legal, que criminaliza esta prática.

O debate foi lançado pela Dra. Margarida Neto (Federação Portuguesa pela Vida) e pela Mara Carvalho (Médicos pela Escolha). Várias dezenas de pessoas estiveram presentes nesta conversa, muitas vezes acalorada, durante mais de 2 horas!

Foi um momento para ouvir os argumentos das posições que disputam o referendo. Mas, sobretudo, este debate permitiu a participação de muitas pessoas, que provaram ter opinião e coisas para dizer. Afinal, vale a pena tentar: quando existem oportunidades para discutir coisas que dizem respeito ao quotidiano das pessoas, elas aparecem e participam.

Continuamos empenhados em contribuir para quebrar as barreiras artificiais entre a Escola e o resto do mundo. A Escola é feita de pessoas, não apenas de "alunos", "professores" ou "funcionários". É por isso que nos sobra ainda energia para recusar as "inevitabilidades", para juntar pessoas e arriscar pensar e agir sobre o quotidiano, para colocar questões à Escola, aos seus movimentos ou à realidade "fora dos muros" (que também está cá dentro).

Não demoraremos certamente muito tempo a organizar mais propostas de debate. A participação e a vontade dão-nos força para continuar. Até breve.

sábado, 4 de novembro de 2006

Debate no ISA, referendo sobre a despenalização
da Interrupção Voluntária da Gravidez
















segunda-feira, 30 de outubro de 2006

Já está nas Bancas,
o Novo Jornal do ]movE[ !!!!!!













sábado, 21 de outubro de 2006

A precariedade em debate... finalmente na Escola!

No passado ia 18 de Outubro, o ]MOVE[ promoveu um debate no ISA sobre a precariedade que invade o mercado de trabalho e sufoca as nossas vidas.

O mote foi dado com a exibição do filme "Il vangelo secondo precario", que relata de forma muito clara a vida de quatro jovens precários – é uma ficção, mas são estórias que todos já ouvimos ou vivemos. O debate que se seguiu, no qual participaram algumas dezenas de pessoas, contou com a presença de Rui Vieira (membro do Sindicato Nacional dos Trabalhadores das Telecomunicações e Audiovisual) e Ana Sofia Palma (arqueóloga precária).

Foi uma oportunidade para ouvir relatos pessoais, escutar dúvidas que todos vamos tendo, reflectir sobre a dimensão e as características das alterações no mercado de trabalho, discutir o papel do sindicalismo, apontar desafios ou perspectivar saídas.

É certo que este parece um tema óbvio de reflexão e discussão urgente, mas a realidade mostra-nos que ele anda demasiado longe das faculdades. Isto, apesar da maioria dos jovens licenciados ser hoje precário ou desempregado e de muitos estudantes universitários terem de recorrer a este tipo de trabalho para poderem pagar os seus estudos. É justamente por não aceitarmos uma Universidade que se está a habituar a aceitar sem discutir que arriscamos organizar este tipo de iniciativas: não acreditamos na inevitabilidade de uma Escola virada para o seu (cada vez mais frágil) umbigo, ao ponto de nem querer ver os problemas dos membros da sua comunidade.

As nossas iniciativas estão a convencer-nos de que vale a pena continuar. Certamente, outros debates se seguirão.


segunda-feira, 16 de outubro de 2006






Filme e Debate no ISA
"Precariedade:no trabalho e na vida..."