segunda-feira, 10 de novembro de 2008

A Cortina de Ferro

Esta semana o ]movE[ apresenta mais um debate no ISA.
Será nesta quinta-feira, 13 de Novembro, pelas 15:00 na sala 2.12 do DEF.


Desta vez o tema é a Palestina.
O debate terá a presença de Alain Stoleroff do Comité Solidariedade Palestina.
E o filme que vamos ver podes descarregá-lo aqui.

Até quinta!


Israel e Palestina aparecem em todos os telejornais, porquê?

Haverá solução para o conflito?


Desde quando existe Israel, e a Palestina?


Quem financia Israel?


Haverá maus e bons?

domingo, 9 de novembro de 2008

Ex-reitores pedem intervenção

Está em causa o funcionamento das universidades, dizem ex-responsáveis. Muitos são do PS.

Júlio Pedrosa, ministro de António Guterres, Rui Alarcão, mandatário de Mário Soares, e Adriano Pimpão, ex-dirigente do PS, assinaram com mais 13 ex-reitores de universidades públicas uma carta ao Presidente da República e ao primeiro-ministro. O "funcionamento regular das instituições e a sua autonomia estão em perigo", alertam os 16 signatários. Contactado, o gabinete do primeiro-ministro até ao fecho desta edição não fez qualquer comentário, por José Sócrates se encontrar no Conselho de Ministros. Na carta, que ontem chegou às mãos do chefe do Governo e de Cavaco Silva, apela-se "a uma revisão da actual política de financiamento, por forma a assegurar a autonomia e o funcionamento regular das instituições". Trocado por miúdos, antigos responsáveis estão a sublinhar os avisos que os reitores têm vindo a fazer: os dinheiros públicos fixados para 2009 não são suficientes, apesar de estarem disponíveis mais €90 milhões. É que as despesas vão aumentar.

Por um lado, a qualificação dos professores representa uma progressão na carreira e, logo, mais dinheiro; por outro, é dos cofres das universidades que sai o aumento salarial de 2,9% decidido pelo Governo para a Função Pública. Os ex-reitores temem que, às quatro universidades que este ano sobreviverem graças a entregas pontuais do Ministério do Ensino Superior, se juntem outras tantas, ou mais ainda. "Nos diversos casos em que as instituições têm entrado em rotura financeira, criou-se a prática da concessão de reforços orçamentais para assegurar o pagamento dos salários, enquanto outras foram obrigadas a usar os saldos resultantes da captação de receitas próprias. Gerou-se desta forma uma situação injusta e desincentivadora da boa gestão, com repercussões negativas e imediatas para a autonomia das instituições e a sua capacidade de planear e assumir estratégias de médio e longo prazo", lê-se na carta, que também foi assinada por Barata Moura, Novais Barbosa e José Lopes da Silva, entre outros. Entretanto, também os pesos-pesados do conselho estratégico da Universidade do Minho, como Leonor Beleza, António Carrapatoso, Carlos Bernardo e João Salgueiro, criticaram ontem a situação de fragilidade em que se encontram as universidades.

domingo, 2 de novembro de 2008

À conversa sobre a história das coisas




De onde vêm as coisas que consumimos?
Como são produzidas e de que forma afectam as pessoas que as produzem e as consomem?
O sentido da vida passou a ser seguir a seta dourada do consumo?

Estas foram algumas das perguntas que motivaram a discussão que o MOVE promoveu na semana passada no ISA. Depois da passagem do filme Story of Stuff o professor José Lima Santos deu início ao debate com uma visão crítica sobre o filme, acrescentando também algumas perguntas que vieram enriquecer este momento de reflexão e de procura de respostas conjunta. (Estamos dispostos a mudar os nossos hábitos de consumo?; Crer na tecnologia e tudo correrá bem?; Devemos acrescentar o custo ambiental ao preço dos produtos que consumimos?; Queremos tentar resolver estes problemas ou esperar pelo colapso?; Quanto tempo temos?; Qual o papel do Estado?; ...).

A conversa desenrolou-se à volta de soluções para um mundo mais sustentável e justo. No final todos ficámos com dúvidas mas com algumas certezas, com a certeza que vivemos num mundo injusto, desigual e insustentável e que algo vai ter de ser feito para mudar isso. A certeza de que os diversos Estados têm um papel importante no desfecho desta história e que as especificidades de cada espaço físico e social têm de ser consideradas. Tal só será possível através de um processo democrático que fomente a autoconstrução das sociedades. Esta foi mais uma actividade organizada pelo MOVE que provou que é possível juntar pessoas, é possível fazer de outras formas, é possível discutir e construir juntos, é possível uma outra vida na Escola. Continuaremos neste caminho, provando que é possível, combatendo o conformismo e negando as inevitabilidades que se vão querendo impor à vida dentro da Escola. Queres caminhar connosco?


terça-feira, 21 de outubro de 2008

Filme e conversa - Story of Stuff

É já na próxima 5a feira, dia 30 de Outubro, às 16h30, que o ]movE[ promove a visualização do filme Story of Stuff, seguida de uma conversa com a participação do prof. Lima Santos.
É no auditório do Departamento de Engenharia Florestal.

De onde vêm as coisas que consumimos?
Como são produzidas e de que forma afectam as pessoas que as produzem e consomem?
O sentido da vida passou a ser seguir a seta dourada o consumo?
Desde a sua extracção às prateleiras dos supermercados e depois para as lixeiras, os produtos que passam pelas nossas mãos afectam muitas pessoas e as comunidades onde estas vivem.
Estas são coisas que estão escondidas por detrás dos componentes do teu leitor MP3 ou do algodão dos teus ténis.



Estas são algumas das questões à volta das quais se desenvolve o Story of Stuff e às quais tenta dar uma resposta.

www.storyofstuff.com

Não faltes!

segunda-feira, 13 de outubro de 2008

quinta-feira, 9 de outubro de 2008

O MOVE lançou um novo jornal no início deste ano

Podes lê-lo aqui


Aparece na próxima quarta-feira, dia 15 às 14:30, no relvado junto da cantina para falar e ouvir Pedro e Diana

O MOVE é um movimento informal de estudantes que nasceu dentro ISA em 2006, criado pela necessidade de mudar a vida na Escola derrubando muros que nos limitam dentro dela; muros que se interpõem entre ela e o mundo onde vivemos, o qual queremos construir e decidir.


O MOVE é assim um movimento aberto à participação de todos (alunos, professores, funcionários, ...) os que queiram connosco pensar e construir a Escola. Porque acredita que é possível outra vida na Escola. Porque vê na Escola um espaço onde nascem e se discutem novas ideias. Porque espera da Escola mais do que uma rotina onde se aprende e ensina. Porque sabe que é possível juntar pessoas para fazer de outras formas. Porque recusa a "inevitabilidade" de uma Escola onde a tecnocracia vence a vida.


Com o nosso pouco tempo de existência já muitas coisas organizámos que no passado recente nos pareciam impossíveis: juntar diversas pessoas de formas diferentes e por motivos diferentes, organizando debates com os mais diversos temas, festas, reuniões, manifestações; e construindo jornais, cartazes, panfletos, entre outras coisas. Apesar de tudo isto, temos a consciência e a humildade para saber que ainda está quase tudo por mudar e que nem sempre demos as melhores respostas às mais diversas situações, mas este é um caminho que se faz juntando pessoas e procurando com elas as melhores alternativas. Queres procurá-las conosco?


Queremos uma Escola sem barreiras, sem muros no pensar, queremos a liberdade, a diversidade e a democracia. Exigimos fazer parte da escola e recusamos ser apenas uma matéria prima a transformar para responder às ditas necessidades do "mercado", a tal coisa que apregoam conseguir regular tudo, e que é o mote para a "selva" em que vivemos hoje, onde a desigualdade e a injustiça prosperam. Queremos uma Escola pública, onde todos encontrem as portas abertas, ou melhor uma Escola sem portas... Queremos todos fazer parte, construir e decidir a Escola todos os dias.


Sabemos que muitos dos problemas que combatemos dentro da Escola são o reflexo (e muitas vezes a causa) do que se passa no resto da sociedade. Assim, as nossas lutas são múltiplas, porque sabemos que a mudança só nascerá da união entre pessoas que vivem as mais diversas realidades mas que partilham problemas comuns, porque nada existe isolado. E por estes motivos este pequeno jornal fala de temas tão diversos que precisam de chegar às mais diversas pessoas que fazem parte (ou não) do espaço Escola.



segunda-feira, 6 de outubro de 2008

Universidades estão a cobrar propinas ilegais

http://www.amigosdedelmirogouveia2.blogger.com.br/maos_moedas.jpg


via JN


Apesar de só se poderem inscrever em sensivelmente metade das disciplinas, os estudantes em regime de tempo parcial das universidades do Porto e da Madeira têm de pagar uma propina igual à dos restantes.


Para garantir uma maior flexibilidade no acesso ao Ensino Superior, o Governo decidiu, em Junho passado, criar o regime de estudante a tempo parcial. As suas grandes vantagens seriam não obrigar o aluno a ter de se inscrever em todas as disciplinas do ano, beneficiando de um regime especial de prescrições e pagando uma propina menor.


No entanto, segundo o JN apurou, tanto a Universidade do Porto, como a da Madeira, apesar de limitarem a inscrição a cerca de metade dos créditos do regime geral, cobram uma propina semelhante à do regime geral e que é, em ambos os casos, o valor máximo de 972 euros.


Fonte da Universidade do Porto explicou ao JN que, por ter dúvidas quanto à interpretação do diploma legal (ver ficha) e para não atrasar mais a implementação deste regime, a Secção Permanente do Senado da Universidade optou, neste ano lectivo, por equiparar o valor da propina dos estudantes em regime parcial e do regime geral.


Todavia, parece que apenas duas Universidades tiveram dúvidas de interpretação, já que, segundo o JN conseguiu apurar, as demais ou ainda não implementaram este sistema ou então optaram por fórmulas de cálculo que reduzem o valor a pagar (ver ficha).


Na altura, o ministro da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, Mariano Gago, referiu que este regime se destinava "a pessoas que naturalmente não podem cumprir o horário de trabalho e ser estudantes a tempo inteiro, que podem desta forma adequar o tempo de estudo às suas obrigações concretas da vida, como trabalhadores ou como pais". O JN tentou obter uma reacção do ministério a esta situação, mas o gabinete de Mariano Gago escusou-se a dar qualquer resposta.


Um estudante da Faculdade de Engenharia do Porto, que apenas quis ser identificado como Filipe, disse ao JN que, "por estar à espera de um ano complicado em termos profissionais", tinha pensado em inscrever-se a tempo parcial, mas quando constatou que iria pagar o mesmo desistiu da ideia. "Já que pago o mesmo vou tentar fazer o máximo de discplinas", explicou.


sábado, 4 de outubro de 2008

Manifestação pela regularização dos indocumentados


comunicado de imprensa


JORNADA DE ACÇÃO


Pela regularização dos(as) indocumentados(as), contra a onda xenófoba e contra o Pacto Sarkozy


Associaçõesconvocam jornada de acção para

domingo, 12 de Outubro, às 15h, no Martim Moniz


Nos dias 15 e 16 de Outubro, o Conselho Europeu reunirá oschefes de Estado e de governo dos 27 para ratificar o 'PACTOEUROPEU sobre IMIGRAÇÃO e ASILO', aprovado no conselho deministros realizado a 25 de Setembro. O Pacto proposto por Nicolas Sarkozy, nocontexto da presidência francesa da União Europeia, visa definir as linhasgerais da UE nesta matéria e assenta em cincopontos fundamentais: organizar aimigração legal, priorizando a adopção do “cartão azul”, para recrutamento demão-de-obra qualificada; facilitar os mecanismos e procedimentos de expulsão eestabelecer nesse sentido parcerias com países terceiros e de trânsito;concretizar uma política europeia de asilo; reforçar o controlo das fronteiras;proibir os processos de regularização colectiva.


Depois da aprovação da Directiva de Retorno, com o votofavorável do Governo português, estas medidas representam mais uma vergonhapara a Europa. O tratamento securitário dasmigrações, a definição de critérios discriminatórios para acesso ao trabalho, oaprofundamento da criminalização da migração, da militarização e externalizaçãodas fronteiras através do FRONTEX e a perseguição dos(as) cerca de 8 milhões deindocumentados(as) que vivem e trabalham na Europa - a quem é oferecida aexpulsão como única saída -, são medidas que visam consolidar uma EuropaFortaleza, da qual não podemos senão nos envergonhar.


Em Portugal, a recente onda demediatização da criminalidade e as recentes declarações de responsáveisgovernamentais que trataram os(as) como imigrantes bodes expiatórios para oaumento da criminalidade, abrem espaço para as pressões xenófobas e racistas, ecriam um ambiente propício para a desresponsabilização do Governo. Em causaestá a necessidade de regularização de dezenas de milhares de imigrantes quedefrontam sérias dificuldades em regularizar a sua situação.


São homens e mulheres que procuraram fugir à miséria, fome,insegurança, obrigados a abandonar os seus países como consequência doaquecimento global e outras mudanças climáticas, ou que muito simplesmente tentarammudar de vida, mas a quem não foi reconhecido o direito a procurar melhorescondições de vida. Tratam-se de pessoas que não encontraram outra opção senão orecurso à clandestinidade, muitas vezes vítimas de redes sem escrúpulos, e quese confrontam com uma lei que diz cinicamente que 'cada caso é umacaso', fazendo da regra a excepção e recusando à generalidade dos(as)imigrantes o reconhecimento da sua dignidade humana. Destaque-se a situação dosimigrantes sem visto de entrada, a quem a lei recusa qualquer oportunidade delegalização.


Solidários(as) com a luta que se desenvolve na Europa e nomundo contra as politicas racistas e xenófobas, também por cá vamos lutar pelaregularização de todos imigrantes, sem excepção, cada homem/mulher - um documento.É uma luta emergente contra as pretensões de expulsão dos(as) imigrantes, contraa vergonha de uma Itália que estabelece testes ADN como instrumento deperseguição dos ciganos(as), contra as rusgas selectivas, arbitrárias eestigmatizantes, contra a criminalização dos(as) imigrantes, contra a ofensivadas políticas securitárias e racistas, alimentadas pelo tratamento jornalísticodistorcido feito por alguns meios de comunicação social. Cientes de que estácriado um ambiente de perseguição aos imigrantes na Europa, e rejeitando aspressões racistas e xenófobas dos Governos de Sarkozy e Berlusconi,organizações de imigrantes, de direitos humanos, anti-racistas, culturais,religiosas e sindicatos, decidiram marcar para o próximo dia 12 de Outubro, domingo pelas 15h, no Martim Moniz, uma jornada de acção pelaregularização dos indocumentados(as), contra a onda de xenofobia e contrao Pacto Sarkozy.


ORGANIZAÇÕES SIGNATÁRIAS:
Acção Humanista Coop. e Des.; Associação de Apoio ao Estudante Africano; ACRP; ADECKO; AIPA – Ass. Imig. nos Açores; APODEC; Ass. Caboverdeanade Lisboa; Ass.Cubanos R.P.; Ass. Lusofonia, Cult. e Cidadania; Ass. Moçambique Sempre; Ass.dos Naturais do Pelundo; Ass. dos Nepaleses; Ass. orginários Togoleses; Ass. R.da Guiné-Conacri; Ass. Olho Vivo; Ass. Recr. Melhoramentos de Talude; BalletPungu Andongo; Casa do Brasil; Centro P. Arabe-Puular e Cultura Islâmica;Colect. Mumia Abu-Jamal; Comissão de Moradores do Bairro do Fim do Mundo; Khapaz – Ass. de Jovens Afro-descendentes; Núcleo doPT-Lisboa; Obra Católica Portuguesa de Migrações; Solidariedade Imigrante; SOSRacismo.


sexta-feira, 3 de outubro de 2008

Cantinas Universitárias

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O Movimento MISTA promove um inquérito acerca da qualidade das cantinas universitárias.
Participa no blog do movimento MISTA


sexta-feira, 26 de setembro de 2008

MUDA lança a 5ª edição do jornal RADAR

O MUDA (movimento de estudantes da Faculdade de Ciências) lançou no passado dia 15 o RADAR. Esta é já a 5ª edição do jornal que é agora dedicado à vida na faculdade e em Lisboa.


Descarrega o RADAR
aqui!

quinta-feira, 25 de setembro de 2008

Carreiras de futuro... nos call-centers

via Precários Inflexíveis


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Então não é que há chefes de call-centers que têm o descaramento de dizer coisas como esta?:


"Frederico dos Santos Carona, director de projecto da RHmais, defende que existe espaço nestas empresas para jovens que querem percorrer um caminho. O que é preciso é querer. Disciplina, trabalho de equipa, pontualidade e assiduidade são requisitos mínimos para quem quer chegar mais longe. É uma questão de atitude. «Esta indústria é caracterizada pelo seu enorme dinamismo e novas oportunidades. Para fazer carreira de sucesso é preciso conseguir destacar-se. Infelizmente, a generalidade das pessoas não aposta naquilo que está a fazer, considera o emprego no ‘contact center’ como algo transitório na sua vida. Há um ‘deficit’ de pessoas ambiciosas em relação às oportunidades existentes nesta indústria. A carreira está lá e é preciso querer tê-la.»"


(notícia "Mundo Universário", aqui)


Sugestão: 'bora "lá" tod@s buscar a nossa querida carreira, nessa indústria de oportunidades, salários luxuosos e contratos para a vida?

quarta-feira, 24 de setembro de 2008

Revolução das Colheres




No dia Mundial do Animal,
dia 4 de Outubro, a Acção Animal vai realizar um jantar vegetariano (vegano), seguido de um debate sobre vegetarianismo e o movimento sul-americano pró-vegetarianismo "revolução das collheres".

O local será na cooperativa cultural "Crew Hassan", na Rua das Portas de Santo Antão, n.º 159, 1º andar (metro: Restauradores; www.crewhassan.org).

O jantar está marcado para as 20h, terá um custo de 7 euros e terá de ser obrigatoriamente reservado até dia 26 de Setembro (geral@accaoanimal.com).

O debate (21h) e concerto (22h30) têm entrada livre.

Este evento está integrado nas actividades da Semana Vegetariana. Para veres outros eventos e iniciativas integradas nesta semana, incluindo algumas organizadas pelo núcleo do Porto da Acção Animal, visita a página www.semanavegetariana.com.

terça-feira, 23 de setembro de 2008

Governo acusado de “comercialização do ensino”

O Senado da Universidade de Lisboa não poupa críticas ao novo modelo de financiamento do Ensino Superior, acusando o Governo de sugerir às universidades "práticas desresponsabilizantes de sub-orçamentação" e “medidas de comercialização do ensino", numa deliberação em que alerta para a situação financeira "dramática" em que a instituição se encontra.

"A maneira como o Governo condiciona a vida das universidades, sugerindo-lhes práticas desresponsabilizantes de sub-orçamentação ou, pior ainda, obrigando-as a medidas de 'comercialização' do ensino e de desqualificação do seu corpo docente não auguram nada de positivo para os próximos tempos", salienta o Senado da Universidade de Lisboa numa deliberação aprovada no passado dia 11 de Setembro.


No mesmo documento é recordado que as verbas disponíveis transferidas pelo Estado para assegurar o funcionamento regular da instituição diminuíram cerca de 25 por cento desde 2005, fixando-se em 2009 nos 76,183 milhões de euros.


"A diminuição que tem ocorrido nos últimos quatro anos vem colocar a Universidade de Lisboa numa situação dramática, cujas consequências quanto à qualidade do ensino, ao desenvolvimento de políticas estratégicas, aos recursos humanos e ao âmbito da sua actividade são facilmente previsíveis", alerta o Senado.

sábado, 24 de maio de 2008

Julgamento das praxes: condenação histórica


Terminou hoje o julgamento que pôs em causa as práticas de praxes académicas decorridas na Escola Superior Agrária de Santarém – em Outubro de 2002, quando a Ana Santos foi obrigada a ter o seu corpo coberto com excrementos de animais – com a condenação dos sete arguidos.

Seis arguidos, acusados do crime de ofensa à integridade física qualificada, e o sétimo, do crime de coacção, foram condenados a pagar multas entre os 640€ e os 1600€.

Este foi um julgamento em que se usou recorrentemente os conceitos de "anti-praxe", "código de praxe" e "acordo", definindo a praxe como um acordo entre praxados e praxistas.

Na sua exposição, o juiz declara que não é obrigatório alguém declarar-se “anti-praxe” para não ser sujeito a tais práticas; o código que a regula não tem qualquer legitimidade [inclusivamente incorpora elementos que se opõem à constituição]; e que os actos inseridos no contexto de praxe não se baseiam em nenhum acordo entre quem manda [”veteranos”] e quem obedece [“caloiros”].

Pela primeira vez, a instituição de justiça competente, e não um poder inventado de uma hierarquia fantasiosa, julga e condena acções em contexto de praxes académicas, lembrando ou mostrando que ninguém é inimputável à sombra do traje académico e que um crime é um crime, mesmo “sendo da praxe”.

A coragem da Ana, que apesar de todos os obstáculos nunca desistiu, levou a este ponto de viragem: a partir de hoje as “leis da praxe” já não se podem considerar paralelas às leis do país. E o futuro, a partir de hoje, pode pensar noutras mudanças que tornem livres as relações entre estudantes.

terça-feira, 22 de abril de 2008

Muit@s Precári@s à Solta na Festa MayDay!!

Muitas, muitas centenas de pessoas estiveram no passado sábado no Ateneu. A Festa MayDay “Precári@s à Solta” correspondeu às melhores expectativas dos muitos contributos necessários para a organizar. Muita gente respondeu ao apelo: festejar a recusa da precariedade e pensar respostas, colectivamente.

Primeiro, a projecção vários filmes: mobilizações, denúncias e intervenções, cá e lá fora. Depois, as músicas de Pedro e Diana, Ana Deus, Loja das Conveniências e Micro Sapiens. Noite dentro, durante toda a festa, a zona de “workshop” permitiu a muita gente pôr ideias em materiais – muitos ficarão, certamente, para a parada! Um programa cheio, porque muita gente quis participar nele e contribuir para uma festa em que o apelo à mobilização se procurou tanto nas actividades e performances como na forma de as fazer.
Valeu a pena o esforço de construir uma festa com as nossas mãos, sem patrocínios nem profissionais. A imaginação precária e a vontade de mudar as nossas vidas está a juntar a energia que precisamos para um MayDay Lisboa ainda mais participado e interventivo do que o ano passado. No pouco tempo que falta, dedicamos todo o empenho na divulgação da parada. Mas agora com muito mais confiança, porque sabemos que somos mais.
MayDay!! MayDay!!

sexta-feira, 11 de abril de 2008

O mundo diplomático

A edição portuguesa do Le Monde Diplomatique do mês de Abril apresenta-nos um texto sobre o RJIES, da autoria de Maria Eduarda Gonçalves, professora do ISCTE.
Foca, principalmente, os aspectos da gestão das universidades (orgãos, práticas, metas e consequências), com a entrada em vigor do regime jurídico e aponta a fatalidade da imposição em tão curto espaço de tempo de uma reforma tão complexa e com implicações tão profundas.

A edição online ainda nos apresenta dicas valiosíssimas de como ter sucesso nesta reforma do ensino, na universidade feudal do futuro!

quarta-feira, 9 de abril de 2008

Está perto do fim o julgamento dos "praxistas" de Santarém

Ex-caloira da Escola Agrária disse em tribunal que as praxes a que foi sujeita foram "uma tortura"


Para alguns dos ex-caloiros da Escola Superior Agrária de Santarém (ESA), que ontem foram chamados a depor como testemunhas em tribunal, o que se passou nas praxes daquele dia 8 de Outubro de 2002 foi uma "brincadeira" com excrementos de porco e de vaca. E fez parte da "integração" dos novos estudantes, como eles. Para outros, o que aconteceu foi "um castigo", uma "punição" a que Ana Francisco, então aluna do 1.º ano de Engenharia Alimentar, "foi obrigada a sujeitar-se". Sete jovens, entre os 27 e os 32 anos, estão a ser julgados por alegada violência nos rituais de recepção ao caloiro daquele ano lectivo de 2002/2003.Ontem, na quarta sessão do julgamento (o primeiro do género no país), Ana Francisco prestou pela primeira vez declarações perante o juiz Galvão Duarte Silva do Tribunal Judicial de Santarém. E disse que naquele dia chorou e teve "muito medo".

Seis dos arguidos são acusados de ofensa à integridade física. Um sétimo, o único que ontem não esteve presente na sessão que durou o dia todo, responde por coacção. No início do julgamento, quando foram ouvidos (a 14 de Fevereiro), garantiram que não quiseram ofender quem quer que fosse, que Ana Francisco aceitou as praxes e que nas praxes não há castigos.Seis anos depois das práticas que, alegadamente, a fizeram mudar de curso e de escola, Ana Francisco apresentou outra versão. Diz que naquele dia foi a única a ser "esfregada com excrementos" num grupo de dezenas de caloiros numa quinta da escola, a 30 quilómetros de Santarém. E a única a ser mergulhada de cabeça num penico com bosta, já na ESA. Garante que foi "castigada".Tudo terá começado porque os caloiros estavam proibidos de atender telefonemas e ela atendeu um. Ana Francisco contou que um dos veteranos, José Vaz, gritou com ela. "Expliquei-lhe que era a minha mãe, que ela estava doente, que tinha sido operada havia pouco tempo..."Outro arguido ainda, que Ana Francisco identificou como sendo Rui Coutinho, tê-la-á insultado por causa disso. "Ele andava de um lado para o outro aos berros, pronunciou palavras pouco amigáveis..." O juiz quis saber quais. "Posso dizer? A puta da sua mãe..."Depois disso, a ex-aluna garante que se declarou "antipraxe" e disse que se queria ir embora. "Mas eles disseram que eu estava muito longe [da escola], que era melhor permanecer ali". "Deixei-me ficar, lembro-me de pensar que nem sabia, se me fosse embora, para que lado devia ir..."Ana Francisco contou ainda que uma das arguidas, Sandra Silva, ordenou-lhe que ficasse "na posição de elefante pensador", de joelhos, com as mão debaixo dos mesmos e os pés levantados. E que pedisse desculpa aos colegas. Depois, quatro caloiros receberam ordens de alguns dos arguidos para irem buscar sacos de esterco para lhe barrarem o corpo: "Fui barrada nos braços, no pescoço, a barriga, no cabelo..." O juiz quis saber como encarou a jovem esse acto. "Como uma humilhação, uma tortura." Mais: "Temia que algo pior pudesse acontecer", se saísse da quinta e se fosse embora a pé, porque "eles estavam muito exaltados". Uma vez mais o juiz insistiu: o que achou ela que podia acontecer? "Ser violada..." A resposta suscitou risos de indignação entre alguns arguidos. Ana diz que foi também por ter medo que algo pior acontecesse que ficou "em silêncio". E participou em mais uma praxe que consistia numa simulação de um acto sexual com os outros caloiros.Já na ESA, outro arguido, Tiago Figueiredo, terá pedido a dois caloiros para a ajudarem a fazer o pino e a mergulhar a cabeça "até às pálpebras" num penico com bosta. No final, a advogada de defesa quis esclarecer uma dúvida que várias vezes foi colocada neste julgamento. "Alguma vez manifestou a sua discordância" com as praxes? O juiz respondeu pela jovem: "Sôtora: ela declarou-se antipraxe."As alegações finais estão marcadas para 24 de Abril.

(08.04.2008, Andreia Sanches, Público)

sexta-feira, 4 de abril de 2008

As propinas... já não são o que eram

As propinas eram para aumentar a qualidade das faculdades, lembram-se?


As famílias e os próprios estudantes (aqueles que trabalham) do Ensino Superior têm amortecido a quebra do montante de investimento público por discente, que se cifrou em menos 12%, quando se comparam os montantes de 1995 e 2004. O investimento privado (famílias) passou de 3,5% para 14% no mesmo espaço de tempo. O desvanecimento financeiro do Estado é quase integralmente compensado pela contribuição das famílias.
Em Espanha, o investimento público por estudante do Superior aumentou significativamente entre 1995 e 2004 (de 100 para 171, isto é, 71%), isto apesar de o número de alunos inscritos até ter decrescido (ver infográfico em que os valores de 1995 são todos iguais a 100). Em Portugal, passou-se o inverso o número de estudantes até aumentou 46%, mas o investimento público diminuiu 12%.
(JN, 3 de Abril de 2008)

O período analisado pela OCDE coincide, quase integralmente, com a entrada em vigor das propinas. Para quem não está lembrado, o principal argumento dos seus defensores era o do reforço da qualidade do serviço prestado. António Guterres, garantiu mais de que uma vez que não seria gasto um escudo das receitas das propinas a pagar salários ou com as despesas de funcionamento das instituições. Dez anos depois, os resultados estão à vista. Mais alunos nas faculdades, menos dinheiros no orçamento das instituições. Agora, que pretende generalizar um sistema de empréstimos no ensino superior, José Sócrates garante que não vai diminuir a despesa pública com a acção social escolar. Ainda alguém acredita?
(http://www.zerodeconduta.blogs.sapo.pt/, 3 de Abril de 2008)