quinta-feira, 8 de novembro de 2007

Reitor acusa Governo de financiar mais instituições norte-americanas do que portuguesas

08.11.2007 - 18h22 Lusa


O reitor da Universidade de Lisboa (UL), António Sampaio da Nóvoa, acusou hoje o Governo de cortar no financiamento do ensino superior público, transferindo para universidades norte-americanas, a troco de "contrapartidas reduzidas", verbas superiores às atribuídas a algumas instituições nacionais.




No discurso de abertura do ano académico 2007-2008 da UL, António Sampaio da Nóvoa falou na necessidade de mudança, mas apontou o dedo ao Governo enquanto responsável por alguns entraves a essa mudança, como a "falta de modelos claros e transparentes de financiamento".

O reitor referiu que nos últimos dois anos Portugal foi o único país da Europa que reduziu o investimento no ensino superior, "remetendo as instituições para uma lógica de pura sobrevivência", apesar de estas terem cumprido as suas obrigações, nomeadamente no que respeita ao aumento do número de estudantes e à melhoria da qualidade da formação.

"Mas, ao mesmo tempo, o Governo transfere anualmente para universidades norte-americanas, ao abrigo de acordos interessantes, mas com contrapartidas reduzidas, verbas superiores às que transfere para algumas universidades portuguesas", acusou o reitor da UL.

António Nóvoa criticou também a proliferação de escolas por todo o país, considerando que, com o novo Regime Jurídico das Instituições de Ensino Superior, o Governo está a contribuir para essa situação.

"Faz-nos falta uma política corajosa de reordenamento da rede do ensino superior, pondo fim à proliferação de escolas que se criaram por todo o país, com a cumplicidade de poderes nacionais, regionais e locais", afirmou o reitor, acrescentando que "sobre isto, até agora, o Governo nada disse, tendo mesmo aprovado uma lei que convida, estranhamente, a uma maior fragmentação das instituições".

Ainda a propósito do regime jurídico, António Nóvoa reconheceu, contudo, que era necessário um novo modelo de governação das universidades e que esta lei contém inúmeros aspectos positivos, mas considerou que, ao mesmo tempo, "corre o risco de se transformar numa mera reforma orgânico-burocrática".

Para o reitor, só as universidades podem resolver os seus próprios problemas, o que não será possível se lhes for retirada "vida própria" e se forem descapitalizadas e incapacitadas de recrutar recursos humanos qualificados.

"Ao não favorecer a iniciativa, ao valer-se de argumentos de autoridade, ao debilitar as instituições, este Governo cria o desânimo entre todos aqueles que, genuinamente, se batem pelo progresso e pela inovação", disse o reitor da UL, sublinhando que "nada é pior do que a ilusão da mudança que deixa tudo na mesma".

Outra das críticas do reitor da UL prende-se com a falta de revisão do Estatuto da Carreira Docente Universitária, que considera "a mais urgente de todas as mudanças".

O responsável lamenta que, até agora, o Governo nada tenha dito sobre o assunto. "Sem um estatuto que permita recrutar e promover os melhores, pondo fim à mediania e à endogamia, estabelecendo uma ligação forte entre ensino e investigação, é impossível reformar a universidade".

A adopção de novas regras de avaliação e acreditação das instituições de ensino superior é outro aspecto que António Nóvoa considera fundamental para as universidades e nessa matéria deixa um elogio aos governantes.

"Faz-nos falta a adopção de normas exigentes de avaliação e de acreditação, acabando com a multiplicação de cursos que, com a conivência de governos e instituições, tem contribuído para degradar a qualidade do ensino superior. Sobre isto, merece aplauso a iniciativa do Governo: mais e melhor avaliação, feita com critérios internacionais", disse ainda o reitor.

Quanto às medidas que a UL pretende desde já adoptar, no âmbito da sua renovação, o reitor destaca a criação de massa crítica na universidade, o início da revisão dos estatutos (já foi eleita a assembleia estatutária), a junção com outras escolas no sentido de congregar esforços e a atribuição de maior peso às estruturas de investigação.





Notícia do site PÚBLICO.PT

Ensino Superior, só há um caminho? Para quem? Para quê?

O ]movE[ organiza um debate sobre o Ensino Superior, na próxima quarta-feira, dia 14 de Novembro. O início está marcado para as 15h, no auditório do pavilhão de Eng. Florestal, no Instituto Superior de Agronomia.

A mesa será constituída por José Mário Branco (músico e estudante do Ensino Superior Público), Rui Borges (investigador), Daniela Pereira (aluna do ISA e membro do move) e um professor do ISA, ainda por confirmar.



1991 Aparecimento da primeira lei das propinas (governo de Cavaco Silva, os estudantes conseguem adiar a sua implementação durante algum tempo)

2003 A propina saltou do ordenado mínimo para perto de 900€ por ano (triplicou)

2006 Implementação do Processo de Bolonha no ISA (a licenciatura passa de 5 para 3 anos, mais 2 que tomam o nome de “mestrado”... A propina deste mestrado noutros institutos já está na casa dos 3000€. (Quanto será a nossa no próximo ano?)

2007 Proposta de transformação das Universidades Públicas em Fundações Públicas de Direito Privado através do novo Regime Jurídico dos Institutos de Ensino Superior (RJIES)
Os estudantes são banidos dos orgãos de gestão
Aparecem os Empréstimos e há redução nas Bolsas (já temos a vida hipotecada antes de entrarmos no mercado de trabalho precário? E o nosso cartão de estudante é do Totta!?)

2008
Nada é inevitável! Estudantes, Professores e Funcionários têm algo a dizer acerca deste futuro! Porque o futuro, do que quer que seja, passa sempre pelo pensar e agir daqueles que ocupam o espaço.


Só a união trará mudanças

No dia 18 de Outubro a CGTP organizou uma manifestação para contestar o Governo Sócrates e a União Europeia. Contra as políticas de privatização e precarização do trabalho, 200 000 trabalhadores deslocaram-se desde do metro dos Olivais ao Pavilhão de Portugal no Parque das Nações. A manifestação utilizou o dia da cimeira europeia para se fazer ouvir. Nesta cimeira assinou-se o Pré-Tratado Europeu, que vinca ainda mais a caminhada do Neo-Liberalismo. Este tratado, que antes se chamava Constituição, foi chumbado nos referendos de há dois anos na França e na Holanda e agora, à revelia dos povos, vai ser implementado por votação nos parlamentos de cada país dos 27.

Por tudo isto as pessoas vieram à rua, na maior manifestação dos últimos 20 anos. A Comunicação Social só não a ignorou completamente, porque seria demasiado escandaloso, como os governantes, numa postura arrogante, acharam-na residual. 200 000 vieram demonstrar a necessidade de mudança e uma enorme capacidade de organização.


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Os estudantes, sentindo a necessidade de união e descontentes com a galopante privatização do ensino, moveram-se, não só de Lisboa mas também desde Coimbra, ao Parque das Nações para participar na manifestação. Éramos 200, que ainda davam mais força a quem lá estava.

Nós os estudantes, defendemos que acabou o tempo das lutas desunidas. Contra o avanço do Neo-Liberalismo, só a união faz sentido, só a união trará mudanças!

Publicado diploma que cria a Agência de Avaliação e Acreditação

http://ultimahora.publico.clix.pt/viewimages.aspx?tp=UH&db=IMAGENS&id=216766
Luís Ramos/PÚBLICO (Arquivo)

05.11.2007 - 11h42 Lusa

O decreto que cria a Agência de Avaliação e Acreditação do Ensino Superior, cujo fim é garantir a qualidade das Universidades e outras Instituições em Portugal, é hoje publicado em Diário da República.

A Agência é uma fundação de direito privado que tem como principal fim a avaliação e acreditação das instituições do ensino superior e dos seus ciclos de estudo.

Com esta nova entidade, a acreditação dos cursos deixa de ser feita pelas várias ordens profissionais, que a partir de agora deixam de poder recusar a inscrição de licenciados pelos cursos aprovados pela Agência.

Neste processo de acreditação caberá à nova estrutura ouvir as várias ordens, entre outras entidades. Esta agência será também responsável pela inserção de Portugal no sistema europeu de garantia da qualidade do ensino superior.

De acordo com o diploma publicado hoje, todas as instituições do ensino superior e todos os seus ciclos de estudo ficam sujeitos aos procedimentos de avaliação e acreditação da Agência.

Face aos resultados da avaliação, a decisão de acreditação pode ser favorável, favorável mas condicionada a alterações determinadas pela Agência e desfavorável.

A Agência é composta por cinco órgãos: conselho de curadores, conselho de administração, conselho fiscal, conselho de revisão e conselho consultivo.

De acordo com o texto do decreto publicado, "o traço essencial deste organismo é a sua independência, quer face ao poder político, quer face às entidades avaliadas".

A Agência de Avaliação e Acreditação do Ensino Superior vem substituir o Conselho Nacional de Avaliação do Ensino Superior (CNAVES), extinto no final do ano passado, na sequência de um relatório da Associação Europeia para a Garantia de Qualidade no Ensino Superior (ENQA).

Num relatório de avaliação, a ENQA apontou à CNAVES uma série de fraquezas, criticando a sua "independência limitada". Segundo o relatório, os métodos e procedimentos adoptados pelo CNAVES não foram definidos nem desenvolvidos de forma autónoma e independente das instituições de Ensino Superior, assim como as nomeações de peritos externos, que também não revelaram a independência necessária relativamente ao Ministério.

Emissões mundiais de dióxido de carbono podem subir 27 por cento até 2030

"Mesmo no cenário mais favorável, as emissões globais de dióxido de carbono do sector energético poderão subir 27 por cento até 2030". Os países ultrapassam-se na emissão de gases de efeito estufa, a China já ultrapassou os EUA, a Índia começa a ganhar terreno e a emitir cada vez mais, sendo que os grandes poluidores actuais não estão a diminuir as emissões. O que se passa? Com tantos acordos nada se faz.. Uma das razões será por as decisões não estarem a passar pelas pessoas e a serem apenas negociadas com a velha nata dos governantes e interesses económicos. Que empresa quer mudar os seu sistema de produção para um sistema mais limpo se isso se reflectir no seu lucro? Enquanto não é possível limpar a produção continua-se a produzir sem senso e espera-se pelo melhor (que será o pior?).


A solução deste problema não será fácil mas passa pela decisão de todas as pessoas e por uma mudança radical do sistema de produção, não é só mudar as lâmpadas incandescentes para económicas e continuar a fazer tudo igual.


Podes ler de seguida o artigo do PÚBLICO.PT:




A imagem "http://www.irancartoon.com/110/invention/bahrami.jpg" não pode ser mostrada, porque contém erros.
Hamid Bahrami/Iran


Emissões mundiais de dióxido de carbono podem subir 27 por cento até 2030

08.11.2007 - Ricardo Garcia

Mesmo no cenário mais favorável, as emissões globais de dióxido de carbono do sector energético poderão subir 27 por cento até 2030, segundo o último World Energy Outlook (WEO 2007), da Agência Internacional de Energia. Esta hipótese é uma má notícia para o mundo, que tenta encontrar uma forma de conter o aquecimento global.

Para que a temperatura média da Terra não aumente mais do que 2,0 a 2,4 graus Celsius no longo prazo, as emissões mundiais teriam de atingir o seu pico até 2015, de acordo com o último relatório do Painel Intergovernamental para as Alterações Climáticas. Depois, precisariam de cair entre 50 e 85 por cento até 2050.
Mas nenhum dos cenários da Agência Internacional de Energia apontam neste sentido. Pelo contrário, as emissões prometem subir no médio prazo em quase todas as regiões do mundo.
O World Energy Outlook 2007 contabiliza apenas as emissões de dióxido de carbono que provêm da queima de combustíveis fósseis - petróleo, carvão e gás natural. Até 2005, o maior poluidor eram os Estados Unidos, com 5800 milhões de toneladas anuais a serem expelidas pelas suas indústrias e automóveis. A China já vinha a seguir, com 5100 milhões de toneladas.
No ano passado, a China aproximou-se dos EUA, devendo passar para a primeira posição este ano, na avaliação da Agência Internacional de Energia. Um instituto ambiental holandês, porém, sustenta que isso já aconteceu em 2006.
Se nada for feito a partir de agora, em 2030 os cinco maiores emissores de dióxido de carbono manter-se-ão os mesmos, mas em posições diferentes. A China ficará em primeiro, com quase o dobro das emissões dos Estados Unidos (11.400 milhões de toneladas, contra 6900 milhões). A Índia subirá da quinta para a terceira posição (3300 milhões de toneladas), seguida da Rússia (2000 milhões) e do Japão (1200 milhões).
Nessa altura, a discussão sobre a responsabilidade histórica pelo aquecimento global pode até começar a perder sentido.


EUA e UE emitem metade



Cerca da metade de todo o dióxido carbono lançado para a atmosfera entre 1900 e 2005 veio dos Estados Unidos e da União Europeia, contra apenas oito por cento da China e dois por cento da Índia. Mas em 2030, as emissões acumuladas da China já serão 16 por cento do total, chegando já muito próximas das dos EUA (25 por cento) e da UE (18 por cento). E as da Índia serão as mesmas das do Japão (4 por cento).

O World Energy Outlook 2007 apresenta um cenário para 2030 em que se consegue manter a concentração de gases com efeito de estufa na atmosfera em 450 partes por milhão, o que asseguraria um aumento suportável da temperatura global. Mas isto implica uma enorme mobilização, desde instrumentos para obrigarem à modernização de determinados sectores industriais, até um grande aumento no uso da energia nuclear e no recurso à captura e armazenamento de carbono no solo.
Uma medida das dificuldades: os automóveis no mercado em 2030 teriam de consumir 60 por cento menos combustível do que os de hoje.


57
por cento é o aumento das emissões de dióxido de carbono num cenário de referência, em que não é tomada nenhuma nova medida além das que já existem


19 por cento do total mundial das emissões de CO2 em 2005 registaram-se na China. Serão 28 por cento em 2030, no cenário de referência da AIE. Em 1990, este país emitia 11 por cento do total


4 por cento do total das emissões de CO2 em 2005 registaram-se na Índia. Serão 8 por cento em 2030, no cenário de referência da AIE. Em 1990, este país emitia três por cento do total


27 por cento é o aumento das emissões globais de CO2 até 2030, em relação a 2005, num cenário favorável. As emissões, no entanto, já estariam nessa altura estabilizadas, tendendo a cair a seguir


68 por cento é o incremento num cenário extremo, de crescimento económico acima das expectativas

Comunicado do M.A.T.A.

No dia 25 de Outubro 200 universitários envolvem-se em confrontos entre si nas ruas de Braga, pelos relatos tratou-se de uma batalha campal que envolveu 'matracas e gás pimenta'. Estes confrontos foram motivados pela deslocação de uma comitiva de estudantes do Porto até Braga num evento de nome o 'Comboio do Caloiro'. No dia seguinte os mesmos jornais que publicavam a notícia do confronto dizem que se tratava apenas de um mero episódio de praxe, nada mais...

É assim, a praxe trata-se de violência e estupidez, nada mais...


De seguida podes ler o comunicado do M.A.T.A. em reacção a isto:




Universidade do Porto vs Universidade do Minho


Na linha da praxe, o bom senso descarrila


A iniciativa da Federação Académica do Porto (FAP), que promove pelo terceiro ano consecutivo a deslocação de alunos da Universidade do Porto a outras cidades do país – o "Comboio do Caloiro" – descarrilou numa "rixa" entre alunos nas ruas de Braga.


Este encontro, que reuniu cerca de 6 mil alunos, está inserido no contexto da praxe. Mobilizou mais pessoas do que qualquer Assembleia/Reunião Geral de Alunos, manifestação do Ensino Superior, eleição para os órgãos representativos das universidades ou qualquer outra actividade socio-cultural universitária.


O problema, neste caso, não é os estudantes terem sido coagidos a participar, inquestionavelmente, num evento de contornos carnavalescos. Foram todos, ou quase todos, por sua livre e espontânea vontade. A gravidade consiste no conteúdo e no resultado da actividade. O conteúdo é a rivalidade entre cursos e universidades, o resultado a violência.


Segundo os organizadores, o evento promoveu o convívio entre duas universidades, que "passou as marcas, embora sem violência generalizada", e que resultou na intervenção da PSP. Dizem também que "o facto de estarem 200 alunos à espera de oito que se esconderam numa oficina, não quer dizer que lhes quisessem bater, mas tão só praxá-los". Esta é a sua justificação para o que aconteceu: "tudo não passa de uma brincadeira" ou um "arrufo de namorados". No entanto, se "um mero episódio de praxe" pode terminar em intervenção policial e, noutras situações, no hospital, em queixas, ou mesmo em casos de tribunal, devemos então questionar por que tal acontece e se deve continuar a acontecer.


O Movimento Anti "Tradição Académica" quer realçar que o discurso apaziguador promovido pelos defensores da praxe é, mais uma vez, posto em causa. Estes acontecimentos não são pontuais – apenas revelam os caminhos turbulentos da praxe.


Não são, nem devem ser, as estruturas fabricadas pela praxe, como os códigos, tribunais e comissões, a regular, prevenir ou punir, os excessos da praxe. Não se pode permitir que quem inventa e pratica a praxe seja ao mesmo tempo o seu fiscalizador. Não podemos ficar descansados com as declarações de preocupação demonstradas pelo presidente da Associação Académica da Universidade do Minho que diz que vai apurar o que aconteceu.


É cada vez mais óbvio que não é um assunto da universidade.


A praxe invadiu as ruas.


M.A.T.A. – Movimento Anti "Tradição Académica"


29 de Outubro de 2007

terça-feira, 6 de novembro de 2007

La grogne monte dans les universités contre la loi sur l'autonomie

À semelhança do que se passou em Portugal também em França está a ser imposta uma nova lei que irá regular as instituições do Ensino Superior. A estratégia foi a mesma, impor a lei na época de exames para impossibilitar qualquer mobilização. Mas os protestos chegam agora quando a lei está para começar a ser implementada. Várias faculdades foram já bloqueadas desde o dia 6 de Novembro, e o movimento vai ser ampliado esta quarta-feira com uma greve votada em RGA de várias faculdades.

Podes ler de seguida o artigo publicado:




Alors que plusieurs universités étaient déjà bloquées, mardi 6 novembre, par des étudiants opposés à la loi sur l'autonomie des universités, le mouvement devrait s'amplifier mercredi, la grève ayant été votée, en assemblée générale, dans plusieurs facultés. Si la faculté de lettres, de psychologie et de sociologie de Rouen, la faculté de lettres de Tours, l'université du Mirail à Toulouse ou le site de Tolbiac à Paris étaient bloqués dès mardi matin, le blocage a été voté à Lille-III et Rennes-II pour mercredi, la mise en place de "barrages filtrants" étant préférée à Perpignan, Rennes-I et Aix-Marseille-I. Les étudiants de la Sorbonne ont commencé à occuper le principal amphithéâtre de l'université mardi soir. En cause, la loi sur l'autonomie des universités. Cette loi, votée le 11 août, prévoit notamment que dans un délai de cinq ans toutes les universités accèdent à l'autonomie dans les domaines budgétaire et de gestion de leurs ressources humaines, et puissent, à leur demande, devenir propriétaires de leurs biens immobiliers.


"RISQUES DE PRIVATISATION"



Si la plupart des grévistes dénoncent les "risques de privatisation" que contient, selon eux, cette loi, les revendications divergent cependant selon les syndicats. Le Collectif contre l'autonomie des universités (CCAU), à l'origine de la tenue de nombreuses assemblées générales depuis la rentrée, revendique l'abrogation pure et simple de cette loi. Composé de SUD-Etudiant, de la Fédération syndicale étudiante (FSE), d'un groupe minoritaire de l'UNEF, des Jeunesses communistes révolutionnaires (JCR) et de l'Union des étudiants communistes (UEC), il estime que la loi sur l'autonomie des universités risque de favoriser la pression des entreprises privées sur les universités, de réduire la démocratie universitaire ou encore de "casser le statut de fonctionnaire des enseignants-chercheurs".





A l'UNEF (Union nationale des étudiants de France), on est par contre plus modéré. "On ne veut pas faire une mobilisation exclusivement sur l'abrogation car c'est un objectif qui ne nous semble pas atteignable", a déclaré son président Bruno Julliard, qui souhaite "élargir" les revendications aux "questions sociales et budgétaires". Il a ainsi dénoncé un "budget 2008 en trompe l'œil". "Si on ajoute les crédits d'impôts – qui ne sont pas des euros supplémentaires –, les retards de paiement des enseignants-chercheurs et des contrats de plan, il ne reste pas grand- chose", a-t-il détaillé. "Ce qui est dangereux, c'est l'autonomie accrue des universités sans moyens supplémentaires, c'est la conjugaison des deux éléments qui est en rupture avec les promesses." "Nous pouvons avoir quelques divergences avec les AG sur cette question de l'abrogation, mais on n'en fait pas un point de rupture, plus le temps passe, plus nous allons devenir moteur de ce mouvement, ce que Valérie Pécresse aurait pu éviter", a assuré le responsable étudiant. Il a estimé que le gouvernement poussait "à la radicalisation et à descendre dans la rue, en refusant de concéder quoi que ce soit sur le fond et d'ouvrir de réelles négociations".


MANIFESTATIONS PRÉVUES JEUDI


Mardi, sur France Info, la ministre de l'enseignement supérieur a jugé que ces mouvements n'étaient "pas justifiés", réclamant "un peu de patience" en attendant que la réforme "porte ses fruits". "C'est un investissement, a assuré Valérie Pécresse, car on va mettre 5 milliards d'euros en cinq ans dans l'université." Elle a estimé "paradoxal qu'au moment où l'Etat se réengage, au moment où l'Etat décide d'accompagner les universités pour qu'elles soient plus puissantes, plus fortes, pour qu'elles assurent une meilleure insertion professionnelle des étudiants (...), qu'à ce moment-là, il y ait un mécontentement".


Des manifestations sont d'ores et déjà prévues jeudi dans plusieurs villes, notamment Paris et Rouen.

]movE[ TV

'Os polacos' dizem que a obra de Tomek Bagiński é incrivelmente Polaca.

Fallen Art é uma história moralista, que tenta mostrar a afectação das mentes de oficiais de guerra.
Numa base militar esquecida no meio do Pacífico, Atoll, o sargento Al cultiva a sua paixão por jovens e bravos soldados; Dr. Friedrich cultiva o seu talento pela fotografia; e o velho, mentalmente insano, general A cria a sua arte.



referências:
http://www.fallen-art.com/index.html
http://new-art.blogspot.com/2007/08/two-films-by-tomek-bagiski.html

domingo, 4 de novembro de 2007

Sondagem Transgénicos

Durante o mês passado os visitantes do blog do MOVE tiveram a oportunidade de votar numa sondagem sobre transgénicos. A questão e resultados são os seguintes:

Os organismos geneticamente modificados trazem consigo:
  1. mais lucros para as multinacionais - 41%
  2. a solução para a fome no Mundo - 5%
  3. um debate que deve ser alargado a toda a sociedade - 47%
  4. nada, são inertes - 5%
Pelas respostas podemos ver que se prioriza o debate acerca das condições em que estes produtos estão a entrar nas nossas vidas. Outra coisa que é óbvia é o controlo das multinacionais na produção e distribuição destes OGM, o que leva a uma ilusão da liberdade de escolha dos agricultores e a uma posterior dependência dos mesmos em relação a estas empresas. Apenas uma pequena parte das respostas aceitam os argumentos que os OGM levam a uma solução para a fome no Mundo ou que estes são produtos completamente inertes.


imagem:
Sepideh Anjomrouz/Iran

quarta-feira, 24 de outubro de 2007

Vem SALTAR connosco

Nasce mais um movimento de estudantes numa faculdade de Lisboa.
Desta vez é o SALTA - Saúde, Alternativa e Acção, na Faculdade de Medicina Universidade de Lisboa.



O SALTA surge da necessidade de chamar mais alguém. Não queríamos andar para aqui aos pulos sozinhos, num parque só nosso. O SALTA aparece porque queremos discutir e mudar as coisas. Dar-lhes a volta, saltar-lhes por cima. Se quiseres juntar-te, é muito fácil, basta aparecer. Não há fichas de inscrição nem códigos secretos. Só não salta quem não quer.

Salta em http://salta-fml.blogspot.com/

terça-feira, 23 de outubro de 2007

Porquê a distância ?

É algo que alunos e professores pouco ou nada se questionam, afinal sempre foi assim desde o meu primeiro dia de aulas... Professores e alunos, apesar de partilharem o mesmo espaço, os mesmos problemas, e perspectivarem futuros muitas vezes semelhantes, continuam a julgar-se muito distantes (veja-se os ultimos ataques ao Ensino Superior Público: cortes orçamentais, Bolonha, RJIES, emprestimos em vez de bolsas... Professores e alunos, apesar de partilharem das mesmas opiniões nunca se juntaram! Porquê?). A interacção aluno-professor limita-se aos horários escolares e aos temas programados por alguém para um curriculo “perfeito”, sendo o mais “competitivo” possível, correspondendo cada vez mais (apenas) ás necessidades empresariais. Não sobra tempo para discutir a Vida e a Escola dentro desta?


Hamid Bahrami/Iran


Um dos maiores problemas do movimento estudantil é a falta de memória, pois a maioria dos alunos vai-se embora da faculdade ao fim de 5 ou 6 anos... Uma das maneiras para resolver este problema é a entrada de professores (possuidores de maior memória) no movimento estudantil. Portanto é necessário que estas duas partes se aproximem, troquem ideias e experiências, e procurem juntas novas (ou talvez velhas) perguntas e respostas. Porque não há aquele que ensina e o que aprende, a aprendizagem é mutua.

quinta-feira, 18 de outubro de 2007

]movE[ TV

Começa aqui a rubrica ]movE[ TV.

Ali ao lado há o ]movE[ TV que começou como uma brincadeira e já tem história.


Numa versão ainda beta (onde ainda não ostentava o estatuto de televisão) houve um vídeo de música dos
Crystal Castles, Air War, e uma demonstração de slackline. Já em formato da caixa que mudou o mundo veio o Sleep Now in the Fire, dos RATM, e depois vieram os dois vídeos de que vos vou falar.

Mas antes de mais, interessa explicar, afinal, o que é isto da rubrica ]movE[ TV.

Ora é muito simplesmente uma breve explicação dos vídeos que passamos por aqui. Porque é importante explicar porquê, além de simplesmente mostrá-los. É também uma maneira de manter um registo, uma maneira de poder ver e re-ver.

Como a programação já vai avançada, esta primeira edição começa já pelo
projecto 28 millimetres, e pelo vídeo de música Awa, do autor David Walters.

JR é um fotógrafo-activista parisiense que se 'celebrizou' por colar, ilegalmente, grandes impressões das suas fotografias de supostos membros de gangs dos subúrbios e guetos de Paris, nas paredes de espaços públicos, à vista de toda a burguesia. JR transforma as ruas na sua galeria, enquanto provoca e obriga os que passam a confrontarem-se com uma realidade que não querem ver. O seu projecto 28 millimetres retrata, de muito próximo (literalmente), uma geração, com uma lente de 28mm. O vídeo é uma mostra do processo que vai desde algumas sessões de fotografia até à colagem das grandes impressões (aprendam com o mestre!).
Face2Face é outro projecto seu, onde foram coladas fotografias de Israelitas e Palestinianos, em ambos os lados do muro que os divide. São retratos de pessoas aparentemente iguais, que falam quase a mesma língua, como irmãos gémeos criados em famílias diferentes.
Artisticamente, JR, faz a, já velha (começa com os Futuristas italianos, no início do séc. XX, que apelidavam de cemitérios os museus e bibliotecas, exigindo a sua destruição), questão do papel dos museus e galerias na arte.


David Walters nasceu na ilha caraíba de Martinica e vive agora em Marselha. É sua a banda sonora do vídeo para o projecto 28 millimetres e Awa, que significa não nas Caraíbas, é o nome do seu último álbum e da primeira música do disco.

referências:
http://www.lensculture.com/jr.html
http://www.28millimetres.com/index_en.html
http://www.face2faceproject.com/
http://epiderme.blogspot.com/2005/11/serralves-e-condio-contempornea-i-1.html
http://www.davidwalters.fr/

terça-feira, 16 de outubro de 2007

Contra o novo Tratado para uma Constituição Europeia

DIA 18 DE OUTUBRO QUINTA-FEIRA :: FAZ-TE OUVIR

Dias 18 e 19 de Outubro terá lugar em Lisboa a cimeira de chefes de Estado e Governo da União Europeia. O ponto principal desta cimeira é a assinatura do novo Tratado para uma Constituição Europeia que substitui o texto chumbado em referendo em França e na Holanda. Após assinado, é suposto o Tratado ser ratificado em cada estado-membro nos respectivos parlamentos sem que as suas populações sejam ouvidas. O Tratado vem reforçar as políticas neo-liberais que temos vindo cada vez mais a sofrer na pele nos últimos anos. Políticas de liberalização dos despedimentos, políticas precarizadoras do trabalho, de privatização do ensino e da saúde, de extinção de serviços públicos e acção social. Políticas de destruição do ensino superior público sob a forma da subida das propinas, de implementação à força de Bolonha e do novo regime jurídico que vem abrir o caminho à gestão privada das universidades. A CGTP aproveita esta oportunidade ímpar para convocar uma grande manifestação para contestar os ataques aos trabalhadores e fazer ouvir as suas reivindicações de justiça social e emprego com direitos. Reivindicando o direito de todos ao ensino e uma sociedade justa, a nossa adesão enquanto estudantes vem dar mais força ao protesto!




A presença de todos é importante!

Esta Europa Não!

Faz-te ouvir!


MANIFESTAÇÃO 18 DE OUTUBRO

PARQUE DAS NAÇÕES

CONCENTRAÇÃO 14:30
METRO OLIVAIS



CONTACTOS:

saltaconnosco@gmail.com (FMUL)
move.aberto@gmail.com (ISA)
fainalternativa@gmail.com (ISCSP)
gae_iscte@yahoo.com (ISCTE)
mata.info@gmail.com
muda.fcul@gmail.com (FCUL)

domingo, 14 de outubro de 2007

Buraco orçamental no ensino politécnico


Ordenados de professores da Escola Superior de Comunicação Social em risco


Docentes foram informados que ordenado e subsídio de Dezembro estava em risco. Escola diz que já resolveu, mas a incerteza permanece.


Carolina Reis


Dezembro sem ordenado, sem subsídio e o adiamento da assinatura dos contratos do ano lectivo que já está a decorrer como prendas de Natal. São estes os cenários que estão a tirar o sono aos professores da Escola Superior de Comunicação Social (ESCS) de Benfica.


O presidente do Conselho Directivo da ESCS, António Belo, informou os docentes que a escola ficou sem dinheiro para os vencimentos e subsídios de Natal de Dezembro, depois de pagar os descontos, de 7,5%, à Caixa Geral de Aposentações (CGA).


Ao Expresso, António Belo garante que tudo está resolvido. "Entretanto, os 207 mil euros necessários para pagar Dezembro e o 13º mês já vieram do Instituto Politécnico de Lisboa (IPL)", que anteontem terá aprovado a transferência da verba, o que faz com que os contratos também estejam assegurados. "Só assim foi possível finalizar o processo burocrático dos contratos de trabalho, que são renovados anualmente, porque é necessário existir a garantia de que podem ser pagos todos os meses até ao fim do ano".






Tutela ignora, Politécnico avança


Recorrer ao IPL foi a única solução que restou à ESCS para assegurar o funcionamento das aulas, já que ainda não chegou a resposta ao pedido feito, em Agosto, ao Ministério das Finanças (MF), para reforço do orçamento.


Contactado pelo Expresso, o assessor do MF não se quis alongar em declarações, adiantou apenas: "se foi feito algum pedido será respondido". Por apurar fica se havia a noção de que a resposta tardia estava a pôr em causa os ordenados, subsídios e contratos dos docentes. No entanto, para António Belo a situação é clara: "Se estivéssemos à espera do MF estaríamos em maus lençóis".


Regras mudadas a meio do jogo


Os novos descontos para a Caixa Geral de Aposentações (CGA), que as instituições de ensino superior passaram a ter de pagar, causaram um buraco orçamental em algumas escolas.


Porém, os estabelecimentos de ensino têm três alternativas para efectuar o pagamento: Podem utilizar o saldo do ano anterior, pedir um reforço do orçamento ao MF ou recorrer ao Instituto Politécnico que integram.


No caso concreto da ESCS, bastou uma "obra de impermeabilização nas instalações para que o dinheiro no saldo de 2006 se esgotasse", explicou António Belo. Logo, a escola teve de accionar as alternativas para garantir os pagamentos.


Há mais escolas em dificuldades


O presidente do IPL, Luís Vicente Ferreira, alerta que este ano o instituto conseguiu transferir dinheiro para a ESCS, mas que há mais escolas politécnicas em Lisboa com dificuldades.


"Para o ano uma grande parte das escolas pode não ter dinheiro, porque este ano esgotou o seu saldo para pagar os descontos para a CGA. Só duas ou três escolas não esgotaram o saldo".


Luís Vicente Ferreira indica a Escola Superior de Música, a Escola Superior de Teatro e Cinema, a Escola e o Instituto Superior de Engenharia de Lisboa como as próximas a poderem ficar na mesma situação da ESCS.



notícia retirada do site
EXPRESSO
imagem:
Faez Alidousti/ Iran

2,508,000,000


Este número é nem mais nem menos do que o Orçamento que o Ministério da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior dispõe para este ano. As prioridades estão estabelecidas, encabeçadas pelas parcerias com instituições riquíssimas como o MIT (Massachussets Institute of Technology).. Pena é que as Faculdades tenham de ser deixadas sozinhas à procura de rendimentos para pagarem as suas dívidas e para isso vão ter de sobrecarregar os alunos.

Mais uma vez lá se vai o Ensino como um direito fundamental e volta-se a violar a Constituição Portuguesa que vela por um Ensino tendencialmente gratuito.

imagem: Slawomir Luczynski/Poland

sexta-feira, 12 de outubro de 2007


o, não é mais um crédito bancário


É só uma festa, um debate, uma reunião, um jogo de cintura. É só um treino para a luta contra a precariedade e os seus abusos.


É a Noite Precária, organizada pelos

precári@s inflexíveis


A 12 de Outubro, em Lisboa

no Grémio Lisbonense (ao Rossio)


A partir das 21:30


Com música de Pedro e Diana e outros relatos e sons do precariado. Com debate aberto e a presença de artistas convidados do FERVE, ABIC, Sinttav, Intermitentes do Espectáculo e Move, entre outros.

E os ministros e patrões que quiserem aparecer.




o precariado está a acordar por aqui

quinta-feira, 11 de outubro de 2007

Fundação? Não é desta!!


Soube desta notícia ao ler o blog do
MuDA


Votação renhida

11.10.2007, Bárbara Wong


doutorados do Técnico votaram contra a criação de uma assembleia ad hoc para a eventual criação de uma fundação

O conselho científico do Instituto Superior Técnico (IST) disse "não" à criação de uma fundação pública de direito privado, uma figura prevista no Regime Jurídico das Instituições de Ensino Superior, que ontem entrou em vigor. Na segunda-feira o conselho científico, que reúne cerca de 700 professores doutorados, reuniu-se para discutir a proposta de criar uma assembleia ad hoc para eventual criação da fundação. As votações decorreram até ontem e, contados os votos, 276 professores recusaram, contra 258 a favor de que se criasse a assembleia, nove votos brancos e um nulo.
"Não tenho memória de uma votação tão participada", diz um professor que não quer ser identificado. "A escola está dividida", aponta uma docente que pede o anonimato. "Esta foi uma grande derrota para o senhor ministro e para o presidente do Técnico", interpreta um outro docente.



A nova lei prevê que as instituições interessadas possam constituir-se em fundações de direito privado. Desde que o projecto do ministro Mariano Gago começou a ser discutido que uma das vozes a favor da mudança foi a do presidente do IST, Carlos Matos Ferreira, que declarou o desejo que o Técnico saísse da Universidade Técnica de Lisboa e fosse uma fundação. Porquê? Porque poderia passar a escolher os seus alunos e professores, além de que teria um orçamento maior, explicou na altura. Agora, a sua escola disse "não". Ao longo do processo de discussão da lei ouviram-se críticas e o reitor da Universidade de Coimbra, Seabra Santos, chegou mesmo a dar voz a alguns rumores de que esta lei era feita à medida do IST. Durante a cerimónia de abertura do ano académico disse que o ensino superior teria melhores reformas "se quase todos os responsáveis políticos" do ministério não fossem "de uma só escola". O ministro Mariano Gago, o secretário de Estado Manuel Heitor, o presidente da Fundação para a Ciência e Tecnologia João Sentieiro, o director do programa Portugal/MIT Paulo Ferrão são todos do IST. O PÚBLICO tentou ouvir Matos Ferreira e Ramôa Ribeiro, reitor da Universidade Técnica de Lisboa, sem sucesso.

notícia do site PÚBLICO.PT

imagem: Angel Boligan/Mexico

segunda-feira, 8 de outubro de 2007

Cientistas explicam por que é que a versão criacionista do mundo não faz sentido

08.10.2007, Ana Gerschenfeld


Há anos que os criacionistas lutam para afastar do
ensino escolar a teoria da evolução de Darwin


É um debate na moda, que põe em cena duas visões opostas e irreconciliáveis: a teoria da evolução das espécies de Darwin e o criacionismo, um movimento religioso fundamentalista. Na próxima semana, seis cientistas vão explicar, na Culturgest de Lisboa, por que é que a versão criacionista do mundo não faz sentido.
Também conhecido como teoria da "concepção inteligente" (intelligent design), o criacionismo defende que a vida na Terra começou tal como diz a Bíblia: com Deus a criar em seis dias o Universo, a Terra, os animais, o homem e a mulher. Há anos que os criacionistas lutam para afastar do ensino escolar a teoria da evolução de Darwin - ou pelo menos colocá- -la em pé de igualdade com a história bíblica - e nos EUA têm tido bastante sucesso. O seu "avanço" na Europa tem sido mais modesto. Contudo, um grupo de cientistas portugueses achou que era preciso lançar este debate entre nós. E por ocasião da publicação do seu livro, intitulado Evolução e Criacionismo - Uma Relação Impossível (Ed. Quasi), a Culturgest organizou um ciclo de cinco conferências com o mesmo título, que decorrerão de 8 a 12 de Outubro ao ritmo de uma por dia, sempre pelas 18h30.



http://www.phil.uu.nl/staff/lith/images/darwin_monkey_1.jpg




"Porquê, no início do século XXI, um livro em Portugal sobre a aceitação da evolução?", pergunta, na introdução do livro, Augusta Gaspar, investigadora do ISCTE e coordenadora e co-autora do trabalho. "Ainda há na nossa sociedade quem acredite realmente que os organismos vivos foram criados em seis dias como relata o livro do Génesis? Sim. Mas isso talvez não fosse um problema se não existissem movimentos de criacionismo científico", responde a investigadora. Existe um perigo real, explica: "A Internet fervilha de textos e vídeos sobre criacionismo capazes de deixar qualquer um, que não tenha conhecimentos sólidos de ciência e de evolução em particular, num tornado de ideias desarrumadas. O criacionismo "científico" tem criado muitos problemas no ensino da Biologia nos Estados Unidos, invadiu a Europa há alguns anos e começou agora a movimentar-se em Portugal."
Para além desta cientista, os outros conferencistas e co-autores do livro são Teresa Avelar e Frederico Almada, da Universidade Lusófona; e Octávio Mateus, do Museu da Lourinhã. Participam ainda Gonçalo Jesus, também da Universidade Lusófona, e Margarida Matos, da Universidade de Lisboa.


notícia do site PÚBLICO.PT

terça-feira, 2 de outubro de 2007

Agricultura portuguesa ainda é pouco competitiva

02.10.2007


A agricultura portuguesa sofreu ao longo dos últimos anos um significativo processo de ajustamento estrutural, mas isso ainda não foi suficiente para a tornar numa actividade economicamente competitiva. A conclusão é do Instituto Nacional de Estatística (INE), que acaba de facultar o retrato do "Portugal Agrícola 1900-2006". O trabalho, que agrupa 500 séries estatísticas sobre a actividade do sector primário, permite verificar que a dimensão média das explorações agrícolas passou, nestes 16 anos, de 6,7 para 11,4 hectares, que aumentou a produtividade no campo e que as terras aráveis deixaram de ser o olhar predominante para serem progressivamente substituídas pelas pastagens permanentes. É o reflexo de uma aposta mais clara em aptidões para bovinos de leite, gado, carne e ovinos, muito potenciada pelos apoios pelo regime de apoios da Política Agrícola Comum.






Ainda de acordo com o Instituto de Estatística, a área de cereais para grão (onde não somos competitivos) perdeu um milhão de hectares em 16 anos. Mas o milho e as culturas industriais conquistaram assinaláveis ganhos de produtividade. Os pomares de pêra, cereja e alguns frutos secos "apresentam boas perspectivas de progressão" e as culturas mediterrânicas - vinho e azeite - continuam a ser uma aposta viável, ainda de acordo com o INE. O envelhecimento da população rural continua a ser um dos principais dramas do sector. J.M.R.


notícia do site PÚBLICO.PT

imagem:
Valentin Druzhinin/Russia

Biocombustíveis podem ser piores para o clima do que o petróleo

02.10.2007, Ana Fernandes



As emissões da produção de biocombustíveis suplantam os benefícios do seu uso



As dúvidas sobre o impacto positivo do uso de biocombustíveis crescem a cada dia que passa. Acusados de destruir as florestas tropicais e de contribuir para o aumento do preço dos alimentos, agora é a sua própria razão de ser que é posta em causa. Um estudo do Prémio Nobel da Química, Paul J. Crutzen, indica que estes podem ser piores para o clima do que os combustíveis fósseis. A acusação não é nova. Já muitos fizeram as contas à energia gasta para os produzir, comparando-a com aquela que geram, concluindo que, nalguns casos, o balanço era negativo. Desta vez, Crutzen, do Instituto Max Planck de Química (Alemanha), com colegas americanos, austríacos e britânicos, avança que o óxido nitroso libertado pelo uso de fertilizantes nas culturas energéticas tem piores efeitos que os gases emitidos pelo uso de petróleo. Segundo o estudo, publicado na revista Atmospheric Chemistry and Physics, a colza, muito usada na Europa para o biodiesel, e o milho, que nos EUA está na base do etanol, produzem entre 50 a 70 por cento mais gases com efeito de estufa do que os combustíveis fósseis. Isto por causa das emissões de óxido nitroso - um subproduto dos fertilizantes à base de nitrogénio usados na agricultura -, que tem 296 vezes mais potencial de aquecimento global que o dióxido de carbono. A investigação liderada por Crutzen chega a resultados três a cinco vezes mais graves do que anteriores análises de ciclo de vida feitas sobre os biocombustíveis. Isto sem terem incluído nas contas a energia gasta para transformar os materiais agrícolas em combustíveis, sublinham os autores, que podem ainda tornar mais evidentes os efeitos negativos do seu uso.






De todos os materiais agrícolas usados na produção de biocombustíveis, o que continua a surgir como o que oferece mais benefícios é a cana-de-açúcar. Mas como estas culturas estão situadas nos trópicos, crescem os receios sobre o seu impacto em relação às florestas. Mesmo que não sejam as causadoras directas da destruição, são acusadas de, na ânsia de procurar novos terrenos, empurrar outras culturas, como a soja e as pastagens, para dentro da mancha verde. Os autores aconselham a mais estudos sobre o ciclo de vida dos biocombustíveis e defendem que os cientistas e os agricultores devem apostar em culturas e métodos de cultivo menos intensivos. Mas, neste momento, tal como está a ser produzido, "o etanol feito a partir do milho não passa de um exercício inútil", disse um dos autores, Keith Smith, à Reuters. A febre do etanol nos EUA está a atingir o seu pico, relata o New York Times. A corrida, com preços nunca vistos do milho e o aumento do preço dos alimentos, provocou excesso de oferta, que não encontra escoamento e está a pressionar os preços em baixa. O ritmo a que foram construídas as destilarias não foi acompanhado pela distribuição e a abundância de etanol no mercado assusta os investidores. O problema é que este biocombustível é corrosivo e permeável à água e impurezas, pelo que não pode ser distribuído pela rede de oleodutos, o que satura os outros meios de transporte, inundados pelo novo produto.



notícia do site PÚBLICO.PT


imagem: Ares/Cuba