segunda-feira, 2 de abril de 2007

Viva quem muda Sem ter medo do escuro,
conversas na esplanada de Letras


Depois de todo o clima de medo que pairou nas últimas semanas na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, o Grupo Manifesto – surgido na sequência destes acontecimentos – decidiu enfrentar esses receios de frente e organizou uma conversa na esplanada do bar de letras no dia 29 de Março. Numa tarde solarenga, os temas abordados tocavam em dois pontos fulcrais: o racismo e a extrema-direita. Mas houve também espaço para pensar noutras dimensões do quotidiano, da Escola, da vida.

Para começar 3 músicas, duas vozes (Pedro e Diana) uma guitarra e um acordeão, na última música cantavam “O medo… é mentira”.

A mesa era composta por 4 pessoas. Rui Faustino em representação do Museu República e Resistência, descreveu a história do fascismo e como este sempre ascendeu em épocas de crise. José Mário Branco, músico e estudante de Letras, falou de irracionalidade e ignorância da extrema-direita, por outro lado a necessidade de combate do fascismo que existe dentro de nós.

Eduarda Dionísio, escritora, veio questionar e discutir o que é a liberdade e como há 40 anos, apesar das dificuldades, esta era maior dentro das faculdades do que “lá fora”. Por fim Tiago Gillot, em representação do SOS Racismo, falou-nos do racismo institucional e da pressão que esta organização tem feito sobre as entidades responsáveis nesta escola, devido à ascensão nestes locais da extrema-direita e ainda da importância da actividade e da organização das pessoas para afirmar outras coisas.

A seguir abriu-se um debate onde muitas pessoas falaram, exprimindo sem medos a sua opinião. Esta tarde de convívio e de conversa, demorou 4 horas e albergou mais de uma centena de pessoas. Provou-se mais uma vez que é possível conversar, que é possível abrir a Escola ao exterior, tornando-a um local de ideias e discussão.

O ]MOVE[ felicita esta iniciativa, aproveitando para saudar a existência de mais um grupo de estudantes numa faculdade que quer romper com as velhas agendas. A promessa feita no debate pelo Grupo Manifesto de continuar a sua actividade deixa-nos entusiasmados. Até já!