3 de Setembro de 2007. Meio-dia.
Cerca de 300 senhas distribuídas. Cerca de 11 pessoas atendidas desde as 9h da manhã.
Problemas nos programas informáticos, dúvidas difíceis de esclarecer “a cada caso”, confirmações de regras de transição, currículos alterados à última hora, por falta de resposta do Ministério… São pequenas coisas isoladamente, mas cuja reunião traz à memória compromissos pasados.
A afirmação da aprovação de todos os cursos com currículo de Bolonha feita pela Prof. Graça Abrantes (no final do ano lectivo na FIL) aos jovens que decidiam para que cursos quereriam entrar afinal era mentira, nem todos estão aprovados.
O programa informático de simulação da inscrição que, segundo o Conselho Pedagógico, entraria em funcionamento no início das férias e teria como objectivo facilitar as duas semanas de inscrições, não existiu programa de simulação.
As regras e contas de números associados a disciplinas que englobavam quase todos os casos, como foi dito nas reuniões de esclarecimento com a Prof. Luísa Louro e o Prof. Mourato, e que servem agora a menos pessoas deixam até de ser aceites em muitos casos.
A paciência e esperança pedida pelos professores aos alunos de Arquitectura Paisagista na aprovação do Mestrado Integrado pelo Ministério, em Dezembro passado, acompanhando a convicção de que o mês seguinte traria boas novidades a esse respeito. Aos três meses de atraso somam-se mais nove, continhas feitas e o atraso da resposta já vai com um ano.

Recuando ainda mais no tempo (primeiro trimestre de 2006), quase nos esquecemos da primeira sessão de esclarecimento sobre o processo de Bolonha no I.S.A.. No anfiteatro onde centenas de pessoas tentavam perceber como mudariam as suas vidas, disse-se que a urgência em acompanhar o desenvolvimento do processo requeria trabalho e colaboração de todas as pessoas para uma rápida implementação das regras que melhorariam o futuro do ensino do Instituto.
O caos no edifício, no primeiro dia de inscrições, é parte do reflexo do caos construído ao longo dos últimos dois anos.
A pressa de chegar ao fim da implementação do processo de Bolonha quase faz parecer normais todas as trapalhadas que se foram atropelando ao longo do caminho, e esconde até ilegalidades relacionadas com a aprovação dos currículos. É essa pressa que constrói regras feitas por poucas pessoas (e sem os alunos) e que refaz regras que se sobrepõem a regras que vão deixando de fazer sentido ao longo do tempo.
O caso do curso de Arquitectura Paisagista é uma bela caricatura desse caos edificado ao sabor do tempo. A resolução da transição que foi sendo moldada ao aparecimento de novos problemas foi tendo sempre como base o currículo de Mestrado Integrado, e, naturalmente, as decisões das pessoas foram baseadas nas regras que lhes eram apresentadas. Até ao momento decisivo das inscrições, em que, sem pudor e sem responsabilização, pedem aos alunos: “esqueçam as regras. Volta tudo ao currículo antigo, por enquanto.” Por enquanto? Por quanto tempo? Ao currículo antigo? Mas algumas cadeiras deixaram de existir. E os alunos que fizeram o primeiro ano com o currículo de Bolonha? Vão passar para o currículo antigo sem relações lógicas?
“Faz-se o que se pode.” Certo. Seria suficiente se tal não afectasse negativamente as vidas de todas as pessoas, alunos que não sabem o que fazer, professores que não sabem o que planear, funcionários que não sabem o que responder. Seria fácil de aceitar se alguém se responsabilizasse pelo estado do caos. Seria compreensível se a pressão para obter respostas fosse visível e efectivamente consequente.
Mas não aparece ninguém a dizer que vai mesmo resolver o assunto, ninguém que acusa o Ministério na falta de respostas às suas próprias exigências, ninguém que se preocupa com as vidas das pessoas que baloiçam de regra para regra e cujo baloiçar parecer não ter fim. Também nos podemos interrogar acerca da reticência do Ministério em aprovar os mestrados integrados, aconteceu no ISA e aconteceu em Évora, é que ao ser considerado mestrado integrado o curso perde a grande vantagem de Bolonha que é a possibilidade de partir o curso ao meio com financiamentos diferentes em cada ciclo..
Na próxima 5ª feira, às 11h, na Abegoaria, haverá uma reunião para os alunos de Arq. Paisagista para tentar perceber como se “sai deste baloiço” (será uma espécie de tranquilizante?). Haverá uma resposta do Ministério em breve? Como deveremos fazer a inscrição? É suposto encararmos esta situação como algo normal? Vamos (nós, tu, elas, todos…) lá saber respostas. E saber o que fazer.
Porque há coisas para fazer. (Talvez muitas, até!)